A grande fraude da temporada: museu europeu expõe caco de vidro por diamante

Por Hildegard Angel

E se amanhã a direção do Museu do Nacional da Quinta da Boa Vista descobrir que suas múmias não são reais, são cenográficas. Foram encontradas num barracão de Escola de Samba e são expostas lá como autênticas? E se a coroa de ouro do imperador, no Museu Imperial de Petrópolis, não passar de lata polida? E se o Renoir, Meninas de Rosa e Azul, e o Escolar, de Van Gogh, do MASP, não passarem de cópias grosseiras? Bem, não vou colocar em dúvida a autenticidade das joias de todas as nossas mulheres elegantes, porque por elas eu ponho minha mão no fogo… aaaai!

Pois bem, o Museu Nacional Tcheco, em Praga, acaba de descobrir, com horror, escândalo e pânico, que seus preciosos diamantes são pedaços de vidro lapidados com corte de diamante, e a metade de seus rubis é sintética.

A falsificação foi descoberta durante uma inspeção de rotina dos minérios e cinco mil pedras preciosas do museu, e por enquanto só 400 foram conferidos. A investigação só estará completa em 2020.

Um diamante de cinco quilates adquirido pelo museu em 1968, que se julgava valer milhões, revelou-se um pedaço de vidro sem valor, durante a auditoria realizada por curadores altamente especializados. E não foi o único caso. O mesmo ocorre com as inúmeras safiras. Uma delas, de 19 quilates, que custou sete mil libras, não passa de imitação barata. Metade da coleção de rubis do museu é falsa também.

A questão que se põe é: esse tesouro não teve sua autenticidade devidamente investigada quando cada pedra foi adquirida pelo acervo do museu? Ou será que as gemas originais foram trocadas por falsas por criminosos agindo dentro do museu? O inquérito aberto busca esse esclarecimento.

O que intriga é que esta coleção de cinco mil preciosidades é mantida fechada e trancada na capital da República Tcheca desde sua aquisição. Desolado, o diretor do departamento de pedras preciosas do museu, Ivo Macek, disse à Radio Praha.cz: “O que nós ainda temos aqui ainda é uma safira. Mas ela não é natural, conforme o documento que a acompanhava quando o museu a obteve, em 1970. Esta foi criada artificialmente, sem valor algum. A original foi adquirida por 200 mil coroas, e estaria valendo dezenas de milhões”.

O que está sendo levado em consideração é se o staff  do museu, à época em que foram feitas tais aquisições, nos anos 60 e 70, teria de fato expertise para detectar as falsificações e elas eram falsas mesmo, ou se foram substituídas por ladrões. A pessoa à época encarregada já morreu.

O vice-diretor do museu, Michal Stehlík, tentou minimizar o problema ao falar com a estação de rádio: “Quando você tem uma coleção de 20 milhões de itens, uma certa fração disso pode se revelar problemática. Essas coisas acontecem. Vamos avançar com a auditoria e acho que podemos organizar uma exposição de falsificações, neste e em outros museus do mundo, quando concluída a investigação em 2020”.

Está aí uma proposta: “Museu de Praga expõe suas falsificações”. Isso sim é que é fazer de um limão uma limonada.

Fonte: Jornal do Brasil

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