Black Friday combina com luxo?

Por Juliana Bianchi

Black Friday e luxo não têm nada a ver? A indústria tem tido de se readequar a realidade nacional e a um brasileiro “mais tristonho”, sem ímpeto de compras como mostrou o estudo recente da MCF/Bento Store/Abrael.

A instabilidade nos EUA, por exemplo, levou a uma sequência de liquidações que não só impactaram drasticamente nos resultados do setor no ano passado, como causou uma confusão na cabeça do consumidor sobre o valor efetivo dos bens.

“O Black Friday é uma confusão no Brasil. Não há volume e pujança no mercado como nos EUA. E até agora não teve impacto para as marcas de luxo”, diz Carlos Ferreirinha, sócio da consultoria MCF.

O mesmo acredita Alain dos Santos, presidente da Montblanc no Brasil. “Luxo e liquidação não combinam. É preciso ser coerente e ter o mesmo preço o ano todo e em todos os canais. A não ser, claro, quando você cria um ambiente específico para isso como um outlet.”

Para quem trabalha no universo digital, contudo, a data já tem causado impacto. Na Farfetch, por exemplo, marketplace que reúne multimarcas e lojas de luxo, os 30 dias de novembro equivaliam em resultado aos 18 dias de dezembro (o ritmo de venda se desacelera nos doze dias finais do ano em função do receio dos consumidores com o prazo de entregas).

Mas no ano passado este cenário mudou. “O período de saldos na Farfetch acompanhou o varejo e o mês de novembro já foi 20% maior que dezembro”, diz Daniel Funis, diretor da empresa no país.

Digamos que o consumidor de luxo incorpore a Black Friday em sua rotina mais como uma questão de conveniência, antecipando as compras de Natal, do que só uma caça de oportunidades. Isso poderia impactar no calendário de lançamentos das marcas para o fim do ano?

Fonte: Angela Klinke Report



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