Fernão Dias Paes Leme e suas falsas esmeraldas

Conhecido como o ‘caçador de esmeraldas’, o bandeirante morreu sem saber que tinham encontrado turmalinas no solo brasileiro de Minas Gerais

Da Redação

 

Escultura de Fernão Dias Paes Leme no Museu Paulista – São Paulo

Em 1674, o bandeirante Fernão Dias Paes Leme já tinha 66 anos, mas isso não o fez deixar de se embrenhar nos sertões de Minas, região quase totalmente desconhecida, para extrair as belas e preciosas esmeraldas.

Os bandeirantes eram considerados homens semibárbaros: conviviam com os animas ferozes e com os índios canibais, falavam os idiomas de várias tribos, não temiam os povos indomáveis e as inclemências da natureza primitiva da América. Não tinham bússolas, armas aperfeiçoadas e nem remédios. Confiavam na sua boa estrela e caminhavam ao acaso, liderados por Fernão Dias Paes Leme.

Durante os dez anos de expedição, os bandeirantes lançaram nos arredores do Rio São Francisco as bases de povoações, que hoje são cidades. No final deste período, oito povoações tinham nascido e os aventureiros tinham uma grande fortuna feita com a fabulosa quantidade de ouro em pó e imensos diamantes. Já as tão sonhadas pedras verdes foram encontradas por Fernão quando chegou ao vale do Jequitinhonha, no centro de Minas Gerais. A partir de então, ele não se separava de uma sacola em couro em que as guardava, não pelo seu valor das pedras, mas pelo orgulho de achar ter sido o primeiro a descobrir esmeraldas na América.

Quando as forças o abandonaram, Fernão Dias Paes Leme recolheu-se a Guaicuí, aldeia que, graças aos seus esforços, se desenvolvia e prosperava. Morreu serenamente, não sem antes confiar ao seu filho mais velho, Garcia Rodrigues Paes, a guarda da sacola de esmeraldas, recomendando-lhe que levasse para a metrópole, as primeiras pedras verdes extraídas nas jazidas no Brasil.

O caçador de esmeraldas, como ficou conhecido, foi enterrado em plena selva, sem saber que as belas pedras verdes, tão bem guardadas, não eram esmeraldas e sim turmalinas. Sua memória permanece viva na história e nas regiões que a sua ousadia desbravou, lançando a semente da civilização nos sertões de Minas Gerais.

Turmalinas

 

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