Fundadora do premiado blog GEMOLOGUE fala em entrevista exclusiva para o portal FENINJER

Liza Urla, uma das principais influenciadoras de joias do mundo, fala sobre a joia brasileira, os impactos dos millennials, as inovações do setor e os desafios para se manter no mercado

Lisa Urla

Por Erica Mendes

A russa Liza Urla é considerada a primeira influenciadora de joias do mundo. Seu premiado blog de joias, GEMOLOGUE.com, fundado em 2009, lhe rendeu inúmeros trabalhos com marcas como Van Cleef & Arpels, Chanel, Bvlgari, Fabergé, Buccellati, entre outros. Formada em gemologia pelo GIA e especialista em joias, foi reconhecida pelo Financial Times, Vogue e Harper’s Bazar por sua influência e expertise. Ela conduz seus mais de 300 mil seguidores ao universo joalheiro através de sua jornada pessoal no setor, selecionando e promovendo suas peças favoritas, descobertas em eventos, feiras e boutiques mundo afora.

Apaixonada pelo Brasil e pelo design e estilo da joia brasileira, Liza vem frequentemente ao país com seu noivo brasileiro e, durante sua última visita à São Paulo, fomos na sede da AJESP conversar com ela que, hoje em dia, mora em Londres, e atua como embaixatriz de algumas joalherias nacionais pelo mundo.

FENINJER: Como você define a joia brasileira?
Liza Urla: A joia brasileira não pode ser facilmente definida, pois ela é diferente de qualquer outra no mundo. O Brasil é um caldeirão de culturas com influências de diversas heranças, resultando em peças com uma estética única e, profundamente, ligada à natureza e à religião. A joalheria é uma indústria difícil de inovar, mas os designers brasileiros têm essa habilidade de me impressionar continuamente com novas formas. E não poderia ser diferente, já que a diversidade da natureza brasileira é inspiradora e sua riqueza mineral com gemas incríveis, como as águas-marinhas, as esmeraldas e, até mesmo, os diamantes de Minas Gerais ajudam a traduzir as joias brasileiras.  Aquele acabamento escovado muito particular que o Brasil herdou da escola alemã também é uma referência muito forte quando penso nas peças brasileiras. Posso resumir falando que design brasileiro se sobressai por seu frescor, sua fluidez e seu DNA único, assim como o próprio Brasil.

FENINJER: Quais são as marcas brasileiras que mais chamam atenção no mercado internacional?
Liza Urla: Silvia Furmanovich, Carla Amorim, Ara Vartanian, H.Stern e Fernando Jorge, todos se estabeleceram e criaram suas reputações fora das fronteiras brasileiras. Esse sucesso está diretamente relacionado à criatividade e ao design, necessários para expandir no exterior. Além disto, ter compreensão dos mercados estrangeiros os ajuda a se destacarem. Em conversa com Silva Furmanovich, por exemplo, ela me contou que os americanos adoram os brincos grandes, tão comuns no Brasil, mas eles só compram os menores para usarem no dia a dia. Outro fator importante é a narrativa das coleções. No Brasil, a H.Stern domina a técnica do storytelling e cria desenhos memoráveis ​​inspirados no país ou em seus ícones, como Oscar Niemeyer. E, é claro que, o profissionalismo, a qualidade da produção, a equipe e a divulgação nas mídias sociais também contribuem para a audiência do mercado internacional.

FENINJER: Como os joalheiros estrangeiros estão inovando seus produtos?
Liza Urla: A inovação é fundamental para a sobrevivência e existem várias maneiras de implementá-la no universo joalheiro. Na mineração de gemas, por exemplo, Gemfields e Forevemark fornecem transparência e clareza sobre a origem de suas pedras e, portanto, estabelecem confiança com o consumidor final. Na mineração de ouro há iniciativas sustentáveis, de comércio justo e ‘verde’ para atingir os millennials, que têm grande consciência sobre o meio ambiente e estão dispostos a pagar, não só pelos alimentos orgânicos, mas também pelo ouro justo. Na produção de joias temos a tecnologia 3D e a produção em massa. No design de joias a inovação está em agradar os consumidores de joias ‘rápidas’, ou seja, aqueles que desejam comprar joias com a mesma frequência que adquirem sapatos e bolsas e estar na moda com piercings, ear jackets e chockers. No marketing digital, a inovação está em incitar o desejo nos consumidores nas redes sociais e direcioná-los aos respectivos sites. E, por fim, o modelo de negócios de vendas diretas, sem intermediários.

FENINJER: O que os joalheiros devem considerar para continuarem no mercado no futuro?
Liza Urla: Nenhum empresário pode deixar de ser curioso. É preciso continuar se educando sobre o mundo atual em que vivemos e sobre a tecnologia que nos rodeia. A mídia social é, definitivamente, a ferramenta que os joalheiros devem abraçar e entender seus benefícios. Em minha palestra na sede da AJESP, eu surpreendi os participantes ao afirmar que há muito mais nas redes sociais do que só objetivo da venda. Veja:
– Mais oportunidades de vendas: cada postagem é uma oportunidade para os clientes se converterem. Você tem acesso aos clientes novos, recentes e antigos e pode interagir com todos eles. A mídia social é uma construção de relacionamento, que tende a crescer de forma exponencial à medida que os seguidores contam aos seus amigos sobre sua marca.
– Reconhecimento de marca: toda oportunidade que você tem para aumentar a visibilidade de suas joias é valiosa. As mídias sociais tornam você mais acessível para novos clientes e o torna mais familiar e reconhecível para os clientes atuais.
– Fidelidade à marca: os clientes que seguem sua marca nas mídias sociais são mais leais, pois fazem parte de sua história.
– Autoridade de marca mais elevada: interagir regularmente com seus clientes é uma atitude positiva. Quanto mais pessoas estiverem falando sobre sua marca, mais autoridade sua marca parece ter.
– Construindo confiança: um maior número de seguidores nas redes sociais tende a melhorar a confiança e a credibilidade da sua marca, representando uma aprovação social.
– Redução dos custos de marketing: se você dedicar apenas uma hora por dia para desenvolver suas estratégias de conteúdo e de redes sociais, verá os resultados de seus esforços de marketing muito em breve.

FENINJER: Os millennials impactarão a maneira convencional de usar joias?
Liza Urla: Para os millennials a experiência de valor está acima de tudo; não se trata de bens ou de valor monetário. Joias é sobre emoções, história, significado especial e é por isso que a narrativa é tão importante, bem como a inspiração por trás da coleção. Histórias vendem joias e desenvolvem uma conexão profunda com o usuário. O GEMOLOGUE, por exemplo, é uma experiência pessoal muito mais profunda do que comunicados regulares de imprensa ou artigos sobre joias. Minha jornada pessoal na joalheira torna o conteúdo mais confiável para os seguidores do blog. Em minhas visitas às joalherias, seleciono as peças que me chamam a atenção e compartilho os meus pensamentos sobre elas.

FENINJER: Qual case de comunicação e relacionamento com os millennials você destaca na joalheria?
Liza Urla: Há muitos cases interessantes, um deles é o da marca Monica Vinader que tem um trabalho ativo e constante de engajamento com os millennials. Recentemente, a Boodles usou influenciadores digitais e, como blogueira de joias, fui escolhida para ser um dos rostos da sua nova coleção, em um lançamento exclusivo. Por ser uma ação muito incomum e inovadora na joalheria, despertou grande interesse entre os amantes de joias. Antes das peças serem disponibilizadas para a venda, a Boodles lançou uma campanha em seu site. Juntamente com outros três blogueiros, me pediram para interpretar algumas peças desta coleção com o meu olhar e o meu próprio estilo para o GEMOLOGUE. Campanha semelhante a esta foi criada pela Cartier em colaboração com Kristina Bazan.

FENINJER: E para finalizar, quando teremos sua visita novamente ao Brasil?
Felizmente, neste Natal. Não posso esperar para voltar e curtir o clima, a minha ‘segunda’ família, a comida local e, claro, uma indústria de joias vibrante!

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