Os anéis Posie: joias com mensagens personalizadas desde a Idade Média

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Os anéis Posie: joias com mensagens personalizadas desde a Idade Média
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Anel 'Ave Maria' de ouro amarelo 18K e diamantes

Os anéis Posie: joias com mensagens personalizadas desde a Idade Média
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Anel 'Pai Nosso' de ouro amarelo 18K e diamantes

Os anéis Posie: joias com mensagens personalizadas desde a Idade Média
NF Joias

Anel de ouro amarelo 18K

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Anel de ouro amarelo 18K

Os anéis Posie: joias com mensagens personalizadas desde a Idade Média
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Anel de ouro amarelo 18K

Os anéis Posie: joias com mensagens personalizadas desde a Idade Média
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Anel de ouro amarelo 18K

Por Erica Mendes

Se hoje a personalização e a individualização são muito apreciadas pelo consumidor, no passado não era muito diferente. A história da joalheria mostra que entre os séculos XV e XVIII tais atributos também eram valorizados. Isto porque, muito antes de gravarem os nomes ou datas nas alianças, os amantes daquela época já trocavam mensagens secretas ou prometiam seu compromisso vitalício com os chamados anéis Posie. O termo (posie, posy, posey ou poesy) deriva da palavra francesa ‘poésie’ e faz referência ao verso de um poema, à rima ou outra inscrição curta com a qual esses anéis eram gravados.

Anel Posie datado de 1.300 com a inscrição ‘Feliz daquele que sabe em quem pode confiar’. Acervo da coleção do Museu Victoria & Albert)

Depois de iniciada a tradição de presentear a noiva com um anel em 1477, os anéis Posie se tornam muito popular, principalmente nas cerimônias de noivado. Apesar de algumas literaturas indicarem que os primeiros registros dessa joia são datados da segunda metade da Idade Média, foi a partir de 1500 que os ‘anéis poemas’ se tornam o principal presente para expressar não só o amor, mas também a amizade.

Anel Posie de ouro com as mensagens em francês ‘UNG TEMPS VIANDRA’ (um tempo virá) no lado externo do aro e ‘MON DESIR ME VAILLE’ (minha saudade me mantém acordada) , do início do século XVI. Acervo da coleção do Museu Victoria & Albert

Como no período medieval e na idade moderna a religião fazia parte da vida cotidiana, era comum que figuras de santos ou textos religiosos aparecessem nos anéis ao lado de expressões românticas ou carinhosas, representando também um ‘talismã’ religioso.

Segundo os arquivos do Museu Victoria & Albert (Londres, Inglaterra) – que abriga a maior coleção de anéis Posie no mundo – no início, os anéis eram mais arrojados e as mensagens em latim, francês ou inglês eram gravadas no lado exterior, com letras maiúsculas arredondadas, conhecida como Lombardic.  Com o passar do tempo, os aneis se tornaram mais simples e as mensagens mais pessoais, fazendo com que os ourives aprimorassem suas técnicas e aprendessem a gravar no interior do aro, com a fonte Gothic, para manter essas as inscrições privadas e mais próximas do usuário.

Anel Posie do século XVII com gravação de animais e plantas no aro exterior, com vestígios de esmalte branco na lebre, sugerindo que a joia já teve cores vivas. A mensagem no interior diz ‘ LOYALTE NE PEUR’ (lealdade e não medo)’.

A coleção de anéis Posie do acervo do Museu Ashmolean (Oxford, Inglaterra) aponta que as mensagens eram tanto pessoais, de composição própria, indicando o pedido individual de um cliente, quanto impessoais com escritos tirados da literatura popular da época, pois se repetem em vários anéis, sugerindo que os ourives tivessem um livro de frases para escolha.

Hoje, em pleno século XXI, a joalheria tem interpretações modernas inspiradas em uma das peças mais românticas da história, que também podem ser chamadas de Posie, pois permitem carregar mensagens gravadas. O varejo deve se valer de todo esse conteúdo simbolico para apresentar sua própria coleção ‘Posie’ aos seus clientes.

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