Cientistas criam diamantes em temperatura ambiente — e em alguns minutos

Os diamantes podem durar para sempre, mas isso não significa que precisem de eras para se formar.

Por Sara Spary

Foto: REUTERS/Carlo Allegri

As gemas geralmente são criadas depois que o carbono é esmagado e aquecido bem abaixo da superfície da Terra ao longo de bilhões de anos – o que torna essas pedras preciosas tão cobiçadas.

Agora, cientistas na Austrália dizem que aceleraram o processo em apenas uma questão de minutos – e em temperatura ambiente.

Uma equipe internacional de pesquisadores liderada pela Australian National University (ANU) e a RMIT University em Melbourne disse nesta semana que criaram dois tipos de diamante em temperatura ambiente usando alta pressão equivalente a 640 elefantes africanos.

Os pesquisadores disseram que foram capazes de criar dois tipos de diamantes estruturalmente distintos – um semelhante aos normalmente usados em joias e outro tipo chamado Lonsdaleita, que é encontrado naturalmente no local dos impactos de meteoritos e é mais duro do que a maioria dos diamantes.

Os diamantes sintéticos não são em si novos e já foram criados em laboratórios desde a década de 1940, em uma tentativa de encontrar pedras mais baratas, éticas e ecológicas.

Mas os pesquisadores estão entusiasmados pela criação desses diamantes em temperatura ambiente, especialmente o diamante Lonsdaleite mais duro, que tem o potencial de ser usado para cortar materiais “ultra-sólidos” em locais de mineração, disseram.

“Criar mais desse diamante raro, mas superútil, é o objetivo de longo prazo deste trabalho”, disse Xingshuo Huang, um acadêmico da ANU que trabalha no projeto. “Ser capaz de fazer dois tipos de diamantes em temperatura ambiente foi emocionante de se conseguir pela primeira vez em nosso laboratório.”

Diamantes cultivados em laboratório são geralmente criados por carbono sendo submetido a calor intenso.

Para formar os diamantes, os pesquisadores aplicaram uma pressão imensa para criar uma “força de torção ou deslizamento” que eles acreditam ter feito os átomos de carbono se moverem para o lugar, disse Jodie Bradby, professora de física da ANU.

“Os diamantes naturais são normalmente formados ao longo de bilhões de anos, a cerca de 150 quilômetros de profundidade na Terra, onde há altas pressões e temperaturas acima de 1.000 graus Celsius”, disse ela. “A reviravolta na história é como aplicamos a pressão.”

Dougal McCulloch, professor de física da RMIT que co-liderou a pesquisa, e sua equipe usaram técnicas avançadas de microscopia eletrônica para tirar fatias das amostras experimentais para entender melhor como elas foram formadas.

Quando a equipe estudou as amostras, encontrou veios de diamantes regulares e de Lonsdaleite correndo.

“Foi simplesmente incrível e (o experimento) realmente nos ajuda a entender como eles podem se formar”, disse McCulloch.

Pesquisadores da University of Sydney e do Oak Ridge National Laboratory, no Tennessee, EUA, também estiveram envolvidos na pesquisa.

Fonte: CNN Brasil

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