Desvendando a geração Z

Valorização da experiência e preservação da privacidade são alguns dos drivers que movem os jovens que, em até dois anos, responderão por 40% do mercado de luxo

Por Juliana Bianchi

Depois do desafio de tentar acompanhar as mudanças impostas pelos millennials, os nascidos entre 1980 e 1995, o mercado já começa a olhar com atenção para a chamada geração Z, também conhecida como ‘i-Gen’ ou ‘Pós-Millenial’. Isto é, um contingente de cerca de 2 bilhões de pessoas nascidas entre 1995 e 2010, que até 2020 deverá responder por 40% dos consumidores de luxo. Só nos Estados Unidos, esse grupo já movimenta US$ 44 bilhões e influencia mais de US$ 200 bilhões em vendas.

Mas apesar do grande poder de compra e de gostar da atividade, esse grupo que já vivenciou os efeitos de duas crises financeiras mundiais tem se mostrado mais seletivo e cuidadoso nos gastos. Segundo análise publicada no site CPPLuxury, esses jovens valorizam as experiências, a interação, o envolvimento emocional que as lojas físicas trazem, ainda que cheguem após terem pesquisado ao máximo sobre o produto e marca. Nesse sentido, compras em plataformas sociais também tendem a crescer como mostra esta matéria da Retail Dive. Na hora de pagar, entram em cena os pagamentos por aplicativos e grandes plataformas como Amazon, nas chamadas digital wallets.

Abstêmios e avessos a drogas, inclusive cigarro, os i-Gen são mais preocupados com privacidade que a geração anterior. Boa parte deixou de usar o Facebook e, no Instagram, fotos ou mensagens permanentes foram trocadas pelo Stories. Para se comunicar usam apps como Secret e Whisper.

Expostos desde pequenos a uma grande quantidade de informação e com acesso facilitado a diferentes culturas e religiões, eles tendem a ser mais maduros, olhar mais para o futuro e ter forte espírito empreendedor. Também são menos autoindulgentes, mais pragmáticos e desencantados com o mundo do que os millennials.

De acordo com matéria publicada no jornal Valor Econômico, são ainda a geração mais vulnerável psicologicamente que já existiu. No Brasil, 35% de crianças e jovens de até 20 e poucos anos alega já ter sofrido depressão em alguma fase da vida e 57% diz conhecer alguém da sua idade que sofre da doença, segundo pesquisa da Consumoteca. Ao todo, 55% dos entrevistados se definem como “ansiosos” ou “muito ansiosos”. Culpa da “vida perfeita” estampada nas redes sociais e da necessidade de opinar sobre qualquer assunto, diz o antropólogo Michel Alcoforado, sócio da consultoria.

 

Fonte: Angela Klinke Report

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