‘Enigma’ é arrematado em criptomoedas por R$ 22,2 milhões

Gema de impressionantes 555,55 quilates tem um novo comprador anônimo

Por Erica Mendes

No mês passado, o mundo tomou conhecimento do maior diamante natural negro lapidado, batizado de ‘Enigma’. E agora, na última quarta-feira, 9, ele foi arrematado em leilão online da britânica Sotheby´s.

Com um lance final de US$ 4,28 milhões (R$ 22,2 milhões), a gema de 555,55 quilates foi adquirida por meio de criptomoedas. Esta foi a primeira vez em que um item foi ofertado em cibermoeda pela tradicional casa de leilões.

Assim como seu antigo proprietário, o novo comprador preferiu ficar no anonimato. 

Por que essa gema ganhou tanta notoriedade?

O ‘Enigma’ é um diamante negro do tipo carbonado requintado e extremamente raro, sendo o maior exemplar de cor natural com impressionantes 555,55 quilates, superando o peso da Grande Estrela da África, 530,2 quilates, e do Jubileu de Ouro, 545,67 quilates.

De acordo com a Sotheby´s, “a maioria dos diamantes são, geralmente, descobertos em rochas de kimberlito ígneo formadas nas profundezas da Terra. Os carbonados diferem por serem encontrados em depósitos sedimentares aluviais, próximos ou na superfície da Terra, o que possivelmente pode sugerir origens extraterrestres. Pensa-se que este tipo específico de diamante negro foi criado a partir de impactos meteóricos produzindo deposição natural de vapor químico ou uma origem extraterrestre – a partir de explosões supernovas que formaram asteróides portadores de diamantes que finalmente colidiram com a Terra”.

Segundo os especialistas da casa de leição, “estudos detalhados de carbonados reforçam essa teoria: os carbonados contêm traços de nitrogênio e hidrogênio, abundantes no espaço interestelar, e osbornita, um mineral encontrado exclusivamente em meteoros. Datando de cerca de 2,6 a 3,8 bilhões de anos atrás, a idade desses espécimes também indica que esses diamantes possivelmente não são desta Terra”.

Os carbonados têm uma estrutura policristalina densa, porém porosa, e formam um diamante opaco composto por inúmeros grãos de diamante minúsculos orientados aleatoriamente. Esses grãos impedem a refração da luz e aumentam a absorção, dando à pedra sua aparência preta. Em nota, a Sotheby´s informou que “a análise com espectroscopia a laser Micro Raman revelou uma característica única e altamente incomum do Enigma: minúsculos cristais vermelhos espalhados uniformemente por toda a pedra. Notavelmente, a dureza desses cristais vermelhos não difere da matriz, indicando que talvez possam ser diamantes vermelhos”.

O ‘Enigma’ tem ainda uma característica única, pois a maioria dos diamantes facetados tem um único eixo de simetria de cristal, tornando-os relativamente fáceis de cortar. No entanto, a estrutura agregada dos carbonados é a mais resistente que existe, tornando-os quase impossíveis de cortar e polir. O ‘Enigma’ foi comprado no final dos anos 1990 e pesava mais de 800 quilates na sua forma bruta. Demorou mais de três anos para produzir este espécime facetado de forma única. Ser capaz de alcançar um diamante como esse – que pesa precisamente 555,55 quilates, contém apenas 55 facetas e tem um grau de polimento tão alto que é quase inconcebível – é uma prova do talento técnico excepcional e da criatividade extraordinária necessários para cortar e dar acabamento a um diamante carbonado.

Além do diamante, o novo comprador tomará posse dos seguintes documentos:

  • Certificado do Guinness Book of Records, datado de 2006, pelo maior corte de diamante do mundo.
  • Relatório GIA nº. 13448951, de 22 de junho de 2004, informando que o diamante que mede 54,13 x 44,86 x 32,25mm e pesa 555,55 quilates é de cor natural, Fancy Black; assim como uma carta dizendo que este é o maior diamante negro que eles relataram a partir desta data (22 junho de 2004); 
  • Carta GIA descrevendo o diamante com mais detalhes – afirmando que é um diamante incomu, como carbonado.
  • Relatório Gubelin nº.  0407010, de 20 de agosto de 2004, informando que o diamante é de cor natural, Fancy Black, bem como uma carta anexa e uma avaliação de seguro de Gubelin, datada 30 de maio de 2003 por $ 15.000.000.
  • Carta de Gubelin, datada de 12 de novembro de 2021, confirmando que o diamante é a mesma pedra descrita no relatório Gubelin no. 0407010.
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