O luxo não é exclusivo

Uma das conclusões da conferência Vozes do Luxo é que as marcas de luxo precisam ser cada vez mais inclusivas

Por Erica Mendes

Os jovens estão consumindo, e muito, produtos de luxo, e com eles uma mudança conceitual está se anunciando, derrubando barreiras que antes rodeavam o luxo como um jardim murado.

O cenário atual contempla os consumidores de luxo mais jovens e diversificados e o crescente poder cultural e financeiro do hip-hop e do streetwear. O resultado desta somatória é a queda de rótulos, com a indústria prestando mais atenção aos não-ricos.

Em tempos em que as mídias sociais crescem e despontam como um dos principais veículos de comunicação, as marcas de luxo estão expostas e ao alcance de mais compradores, tanto culturalmente quanto economicamente, e devem considerar qualquer pessoa como um cliente potencial.

Não adiantar negar: as empresas de luxo estão respondendo às demandas dos consumidores de hoje que desejam que elas reflitam os seus próprios valores.

Recentemente, Alexander Gilkes, cofundador da casa de leilão Paddle8, resumiu bem o comportamento dos millennials em entrevista ao New York Times: “Para eles, o termo ‘luxo’ tem conotações de elitismo e exclusividade…E eles querem um luxo que seja inclusivo, honesto e democrático”.

Não foi à toa que essa citação de Gilkes foi muito lembrada durante a conferência Vozes do Luxo, realizada em junho deste ano, em Nova York. Durante os diversos debates, a palavra ‘inclusivo’ foi repetidamente citada, como um dos principais insights desta transformação que o luxo está sofrendo. Para algumas marcas é difícil digerir isso quando parte do que torna um produto desejável é que nem todo mundo consegue obtê-lo. No entanto, o mundo está mudando e o luxo terá que mudar com isso. É um desafio, mas também uma ótima oportunidade para as empresas que aceitarem esse processo.

Sobre ‘As vozes do luxo’

“As vozes do Luxo” foi o tema central da terceira edição do Evento Anual de Luxo Franco-Americano, organizado pela Câmara de Comércio Franco-Americana, no Lincoln Center, em Nova York, no último dia 7 de junho.

Mais de 200 participantes do mercado de luxo francês e americano assistiram ao debate entre profissionais como Alain Bernard, CEO da Van Cleef & Arpels nas Américas, Laurent Claquin, head do grupo Kearing nas Américas, Steven Shiffman, CEO da Calvin Klein, Vanessa Friedman, diretora e crítica de moda do New York Times, entre outros.

O que está por vir na complexa narrativa do luxo? Como e por que os inovadores estão mudando o cenário do luxo? O que vem a seguir para esta indústria que está em constante transformação? Essas foram as principais indagações que pautaram a edição do evento e que dão vozes às conclusões contadas nesta matéria.

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