Uma Imagem diz mais que 1.000 Palavras

Por Ecio Morais

O fogo consumindo o Museu Nacional no Rio de Janeiro traduziu em imagem o que o poder da palavra nunca conseguirá expressar: o colapso do Estado Brasileiro.

O Museu Nacional foi vitimado pelo colapso das contas públicas e pelo descaso da sociedade para com sua história. O Estado Brasileiro já não consegue defender nosso patrimônio cultural e o brasileiro parece não se preocupar muito com isso.

O simbolismo da imagem do Museu em chamas pode ainda ser interpretado como um alerta sobre os outros riscos que corremos. O “canto da sereia” do populismo de direita e de esquerda, o falso discurso das soluções milagrosas e o voluntarismo político estão vivos como nunca, seduzindo a população menos atenta.

A tragédia do Museu reflete uma tragédia muito maior: uma eminente tragédia da civilização brasileira. Mais de três mil dos cinco mil municípios brasileiros não tem orçamento para bancar os custos do executivo (prefeitura) e do legislativo (câmara dos vereadores), o crime organizado prospera em todo país, a mortalidade infantil voltou a crescer, o sistema penitenciário é uma escola do crime e equivale a uma masmorra da idade média, o sistema educacional não consegue difundir conceitos básicos de português e matemática, cinquenta por cento da população não tem acesso ao saneamento básico e doenças controladas como sarampo voltam a ameaçar.

Na origem desse drama está uma questão “trivial”. Não temos recursos para preservar nosso patrimônio cultural, defender nossas crianças e combater a bandidagem, porque o orçamento público está comprometido com a folha de pagamento do funcionalismo, com os gastos previdenciários descolados da realidade e com os custos da dívida pública.

Se o brasileiro quiser se livrar das chamas que ameaçam a nossa democracia e a nossa sociedade deve estar preparado para fazer sacrifícios. Não existem soluções milagrosas. A defesa do patrimônio cultural e dever de todos nós. A nossa leniência ética e moral não se reflete apenas nos municípios inviáveis, mas também nas constantes pichações dos monumentos culturais, no jeitinho brasileiro de querer se aposentar aos 50 anos, na pirataria do desenho alheio, no contrabando, na sonegação de impostos e na permanente busca de culpados para as mazelas que nós mesmos construímos.

Que o colapso do Museu Nacional não seja em vão.

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