Cresce a procura por reformas de joias durante a quarentena

De acordo com os profissionais, a procura pelo serviço aumentou em até 40% durante esse período de isolamento social.  O trabalho é realizado em peças antigas e de família, porque as pessoas têm um valor sentimental por elas

Por Guilherme Sillva

Desde o início da quarentena, com mais tempo dentro de casa, muita gente começou a mexer nos objetos pessoais. Teve quem inventou a reforma de algum ambiente, outros optaram por organizar o guarda-roupa e tiverem aqueles que “descobriram” joias herdadas de família e resolveram reformar. Sim, aquela peça guardada há alguns anos que quase nunca foi usada, mas tem história.

O carioca Clayton Ribeiro, que tem uma oficina de joias em Vila Velha, conta que a procura pela reforma sempre aconteceu, mas durante a pandemia teve um aumento de 35%. E vale tudo: tem cliente que possui uma peça de família e decide colocar mais ouro, tem aquele que quer incrementar a peça que estava guardada com novas pedras pra se tornar mais usável. “Cada joia chega com uma história e um sentimento agregado, já que a maior parte é herdada de família”, diz.

O ourives tem refeito muitas alianças. “Os clientes trazem  uma joia de família e utilizamos na fabricação de uma nova, mantendo a essência e o valor sentimental que eles tantos zelam”, comenta sobre os pedidos. Ele, que começou no segmento como ajudante de ourives e realizou cursos de aperfeiçoamento, já exportou peças para os Estados Unidos e Itália.

Clayton, que gosta de trabalhar com joias personalizadas, conta qual é a principal procura quando o assunto é a atualização da peça: “As pessoas pedem para trocar as zircônias, que são as pedras sintéticas, pelas naturais. A escolha é principalmente pelos diamantes”.

Peças mais contemporâneas

Para o joalheiro Dorion Soares, o isolamento propõe um estado de inquietação, que leva a uma atitude natural de repensar valores e valorizar mais o que possuímos. “Daí a fartura de tempo desperta o desejo de transformar uma joia antiga que tenha significado, tornando-a usável e atual”, diz.

O joalheiro diz que o pedido geralmente é por mudanças de detalhes para deixar a joia com um aspecto mais contemporâneo. “No caso dos clássicos, são ajustes técnicos no formato, pra deixar a peça com a cara da pessoa com um visual mais requintado. E tem tanto peças de família, que possuem um forte significado sentimental, quanto peças adquiridas pelas clientes mais recentemente”.

Selo de sustentabilidade

Dorion explica que na indústria da joalheira a prática sustentável e de ampla responsabilidade é adotada há alguns anos. “Há tempos já incentivamos a reciclagem do ouro, onde uma joia em desuso ou danificada pode ser usada como parte de pagamento na aquisição de uma nova. Lançaremos ainda este ano o selo de sustentabilidade, onde os clientes terão incentivo para produzirem novas joias a partir das peças que não são mais usadas, o que já ocorre ocasionalmente. Nesse processo, o ouro passa pela etapa de purificação, voltando ao seu estado original. Este selo visa contribuir para a diminuição extrativista, atentando para a preservação ambiental e o não esgotamento dos depósitos que são finitos”, explica.

A busca por reforma de peças ocorre exatamente porque as joias carregam um enorme valor afetivo. “Somos acionados por clientes que desejam fazer adaptações em peças que passaram de geração em geração, com o objetivo de manter sua essência original. A pandemia trouxe uma retomada desses valores familiares para muitas pessoas, e até um cuidado maior com essas peças que representam muito mais do que só um objeto”, finaliza.

Joias de família

A designer de joias Carolina Neves conta que sempre preferiu produzir joias que contam histórias, além de peças personalizadas e com significados. “Transformamos uma joia que é importante para o cliente e damos uma nova roupagem para ela. Muitas vezes ela está guardada porque não tem ‘bossa’ ou tem um design antigo. Então usamos essa joia que conta história com uma cara nova”.

Para ela houve um aumento entre 30% e 40% na procura desse serviço. “O que as pessoas querem é reformar as joias muito antigas. Tenho uma cliente, por exemplo, que tinha um conjunto inteiro de Rivieras comprado em uma viagem especial, mas ficava guardado, sem uso. Então dei uma nova roupagem. Acredito muito na joia que não fica guardada no porta-joias”.

De acordo com a designer,  essa procura por reformas aumentou,  mas sempre foi significativa porque há um valor sentimental muito grande envolvido. “Esse é um momento em que as pessoas têm tido um pouco mais de tempo, então estão pensando um pouco mais no uso dessas joias”, diz ela que também tem aproveitado o período para criar. “Está sendo meu melhor momento de criação”, diz.

Fonte: A Gazeta

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