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Alta da prata leva joalheria Pandora a trocar metal base de suas joias

Alta da prata leva joalheria Pandora a trocar metal base de suas joias

Alta da prata leva joalheria Pandora a trocar metal base de suas joias

Joalheria troca prata por platina após oscilações recentes no preço do metal, buscando reduzir riscos com commodities, proteger margens e tornar seu portfólio menos exposto à volatilidade do mercado

Reprodução: Pandora

Por Moisés Freire Neto*

A oscilação recente do valor da prata passou a pressionar custos no setor de joias e atingiu até mesmo gigantes do mercado. A joalheria Pandora anunciou a troca da prata em grande parte de seus produtos ao iniciar a venda de pulseiras banhadas a platina ainda neste trimestre, com expansão global no segundo semestre. A decisão, anunciada na última quinta-feira (05/02), vem após o metal alcançar US$ 118,70 no fim de janeiro e recuar para a faixa dos US$ 70 poucos dias depois.

O ajuste representa uma inflexão relevante no modelo de negócios da maior vendedora de joias do mundo em volume. Fundada em 1982, na Dinamarca, a empresa possui cerca de 60% de seu portfólio baseado em prata. O plano anunciado, portanto, prevê reduzir essa participação para, aproximadamente, 20% até o final de 2028. Assim, diminuindo a exposição direta a um metal cuja volatilidade passou a pressionar a previsibilidade operacional.

Foco em reduzir a dependência de commodities

Ao comentar a estratégia ao Financial Times, a CEO da Pandora, Berta de Pablos-Barbier afirmou que a empresa busca se afastar da dependência de negociações especulativas com a prata. Além disso, segundo a executiva, a oscilação recente do metal limitou a capacidade da companhia de planejar custos e proteger margens, mesmo com a força da marca junto ao consumidor final.

Do ponto de vista financeiro, a joalheria troca a prata em um momento sensível. A companhia projeta margem operacional entre 21% e 22% neste ano, abaixo dos 24% registrados em 2025. Ainda assim, a administração avalia que a mudança reduz riscos estruturais e cria uma base mais estável para o portfólio no médio prazo.

Efeitos nas margens com a substituição da prata

O impacto mais intenso da transição deve aparecer em 2027. Nesse período, a empresa terá pouca ou nenhuma proteção contra oscilações da prata. Além disso, a margem operacional pode recuar para 12% ou 14% ao excluir custos únicos associados à mudança industrial. Esses custos incluem a reconfiguração de fábricas, estimada em 600 milhões de coroas dinamarquesas, o equivalente a cerca de US$ 95 milhões, ou algo em torno de R$ 499,7 milhões.

Apesar da compressão temporária, a joalheria Pandora trabalha com uma margem de médio prazo em torno de 21% após a consolidação do novo portfólio. A leitura interna, portanto, é de que a platina oferece maior previsibilidade de custos e reduz a sensibilidade do negócio a choques externos no mercado de metais.

A aposta na platina

Além do racional financeiro, a Pandora troca a prata apoiada em pesquisas com consumidores. Segundo a empresa, mais pessoas reconhecem a platina como metal precioso do que a prata esterlina. Além disso, a joalheria também destaca atributos funcionais do novo material, como maior resistência à água, menor desgaste e características hipoalergênicas.

O anúncio foi bem recebido pelo mercado. As ações da joalheria subiram 6% na Bolsa de Copenhague no mesmo dia em que os preços à vista da prata recuaram cerca de 15%. No médio prazo, a decisão indica um redesenho do portfólio com foco em estabilidade operacional. Inclusive, em um ambiente global ainda marcado por forte instabilidade nos mercados de metais.

* Moisés Freire Neto para Economic News Brasil

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