O governo Bolsonaro e o setor Joalheiro

Os cenários que se anunciam diante dos comunicados oficiais até o momento

Por Ecio Morais

Pelo que foi divulgado na imprensa até hoje, 30/11, já é possível desenhar alguns cenários e perspectivas para o setor joalheiro no contexto do futuro governo de Jair Bolsonaro. 

No âmbito da economia, os primeiros passos do capitão são animadores: equipe de alta competência técnica e alinhada com um programa de governo liberalizante. O compromisso com a ética e o combate à corrupção também foram reforçados com a nomeação do juiz Sergio Moro para o robustecido Ministério da Justiça. 

Se analisarmos apenas a dimensão das mudanças propostas nessas duas esferas governo, economia e justiça, é possível prever enormes impactos no setor. O projeto do ministro Paulo Guedes, por exemplo, sinaliza a direção de uma maior abertura da economia, reforma tributária, privatização, desburocratização, etc. Nesse contexto, nossa indústria estará mais exposta à concorrência internacional e, por outro lado, menos sufocada em ambiente tributário menos gravoso. 

Mais do que nunca, a agenda de prosperidade da indústria joalheira será pautada pelos princípios da produtividade, do profissionalismo e da maturidade institucional. Com as fronteiras abertas, imposto de importação mais baixo e ambiente tributário interno mais civilizado, a competição internacional, particularmente a asiática, será consideravelmente fortalecida. Esse é o vetor de pressão proveniente da esfera econômica.

Do lado do ministro Sergio Moro, cuja pasta da Justiça abrigará o COAF, a expectativa é de um combate muito mais fortalecido às praticas de lavagem de dinheiro, à evasão de divisas e uma crescente articulação com os demais órgãos de governo na batalha contra a sonegação e ao descaminho. Medidas louváveis que há décadas esperamos que sejam adotadas.

Os vetores de pressão estão colocados: maior abertura, mais concorrência e combate sem tréguas à informalidade. Esperamos ansiosos que as medidas de melhoria no ambiente de negócios – simplificação tributária, desburocratização e desoneração da produção – sejam adotadas, sem as quais, estaremos diante de uma releitura econômica da desigual luta entre David e Golias, só que sem a funda para atirarmos a pedra.

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