Pintura em pedra preciosa está exposta no Museu de Artes Aplicadas de Budapeste

O artista italiano Antonio Tempesta pintou ‘Eva e a Travessia do Mar Vermelho’ sobre um exemplar de lápis lazúli

Por Erica Mendes

O Museu de Artes Aplicadas de Budapeste trouxe a público novamente uma obra do artista italiano Antonio Tempesta (1555-1630) pintada sobre um exemplar de lápis lazúli, depois de anos de restauração.

 

Nesta obra, o artista de sucesso excepcional – considerado o mestre da pintura em superfícies especiais – escolheu a pedra preciosa azul para pintar a criação de’ Eva e a Travessia do Mar Vermelho’.

A peça se destaca das dos demais artistas da época pela escolha do mineral.   “Esta obra é realmente especial, mesmo entre as pinturas em pedra. Os artistas geralmente usavam diferentes pedras calcárias, mármores e alabastro em suas criações “, frisa o curador Miklós Gálos.

A pintura, que no passado já encantou aos olhos de muitos, foi apagada do inventário do museu alguns anos depois da revolução húngara de 1956. Na época, a falta de expertise dos restauradores para recuperar uma obra em más condições fez com que ela fosse esquecida.

Em 2017, ela foi encontrada muito danificada e despedaçada por funcionários do museu, em um armazém. Eles chegaram até duvidar que não fosse possível recuperá-la. Mas a dedicação nestes três anos foi tão grande devido à importância que esta pintura tem para a história criativa da Europa que foi novamente possível reascender sua chama e colocada de volta à cena.

A pintura em pedra preciosa

No início do século XVII, as pequenas pinturas em pedra eram muito populares entre os colecionadores de arte da nobreza eclesiástica e secular. Os artistas usavam pedras diferentes como suporte para suas pinturas, deixando partes da pedra sem pintura como integrante de suas composições.

Os minerais utilizados desempenharam um papel importante no processo criativo, influenciando a escolha do objeto, a composição, o esquema de cores e o grau de perfeição na execução da pintura. Os vários minerais eram particularmente adequados para certos assuntos. Enquanto pedras negras geralmente serviam como pano de fundo nas cenas noturnas, as pedras coloridas e estampadas eram usadas, principalmente, nos cenários paisagísticos das pinturas históricas, que representavam cenas tiradas da Bíblia, mitologia, história ou literatura.

Nessas pinturas, em grande parte de pequena escala, com dimensões inferiores a um metro de largura, as áreas pintadas e a aparência da própria pedra assumem uma importância mais ou menos igual.

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