Apresentados no novo espaço da designer no CJ Fashion, Broche Ty Fleur e Brinco Ty Sea transformam uma flor imaginária e o movimento do mar em formas de grandes proporções
O titânio negro absorve a luz, enquanto os diamantes a devolvem em pontos precisos. É desse contraste que nascem o Broche Ty Fleur e o Brinco Ty Sea, novas criações de Cris Porto apresentadas em seu espaço no CJ Fashion, no Shopping Cidade Jardim.

As duas joias partem de referências distintas, mas compartilham a pesquisa da designer em torno de volume, movimento e materiais pouco convencionais. Significativamente mais leve que o ouro, o titânio permitiu trabalhar formas de grandes proporções sem tornar as peças excessivamente pesadas. O acabamento preto e fosco, por sua vez, cria uma superfície sobre a qual a luminosidade das pedras ganha maior intensidade.
“Sempre gostei de explorar materiais e possibilidades diferentes quando eles estão a serviço do meu desenho. O titânio me permitiu trabalhar forma, volume, movimento e contraste de uma maneira muito particular, sem abrir mão da preciosidade das gemas e dos diamantes, que sempre tiveram uma presença muito forte no meu trabalho”, afirma Cris Porto.
Uma flor que não existe na natureza
O Broche Ty Fleur nasceu do desenho de uma flor imaginária. A composição explora a oposição entre preto e branco por meio de pétalas volumosas em titânio negro, pontuadas por diamantes de lapidação brilhante em suas extremidades.

No centro, um diamante meia-lua de 0,79 quilates, certificado pelo GIA, funciona como o principal ponto de luz da peça. A pedra não aparece apenas como ornamento, mas participa da construção visual da joia e orienta o olhar para o centro da flor.
Pensado para ser usado por mulheres e homens, o broche reforça uma leitura mais livre da alta joalheria, na qual escala, material e personalidade se sobrepõem a códigos tradicionais de gênero.
O mar traduzido em movimento
Enquanto o Ty Fleur parte de uma imagem criada pela própria designer, o Brinco Ty Sea tem origem em uma experiência diante da arte. Durante uma visita à exposição The Neo-Impressionists, na National Gallery, em Londres, Cris Porto retornou diversas vezes a uma obra intitulada Ty Sea.

O movimento das ondas registrado na pintura inspirou as primeiras linhas do brinco. Na peça final, as curvas do titânio acompanham o ritmo do mar, enquanto os diamantes reproduzem os reflexos da luz sobre a superfície da água.
Em ambas as criações, as pedras foram selecionadas a partir do desenho, e não como elementos independentes. “A escolha de uma gema nunca está dissociada da criação. Ela precisa conversar com a forma e contribuir para aquilo que quero expressar com a joia”, explica.
Uma pesquisa iniciada há mais de três décadas
A combinação entre titânio e diamantes exigiu um processo de experimentação técnica, especialmente na cravação, no acabamento e na adaptação das pedras às curvas de cada desenho. A escolha da superfície fosca foi determinada durante esse desenvolvimento, por ampliar visualmente o brilho dos diamantes.
A pesquisa com materiais não convencionais acompanha Cris Porto desde o início de sua trajetória. Em 1991, a designer criou um bracelete de madeira com placas de ouro e diamantes, premiado pela De Beers no ano seguinte. Mais de três décadas depois, a mesma disposição para tensionar os limites da joalheria reaparece nas novas peças.
“A joalheria contemporânea não está presa a um único material, técnica ou linguagem. O mais importante é permitir que o desenho e a ideia conduzam o processo de criação”, afirma.
A chegada ao CJ Fashion cria uma nova vitrine para essa pesquisa autoral. Em meio à curadoria de moda, design, arte e beleza da nova department store, o espaço apresenta joias nas quais a preciosidade não depende apenas do material, mas também da forma como técnica, ideia e movimento são transformados em objetos para vestir.
Fonte: Robb Report Brasil

