‘Cobiçada: arte e inovação na alta joalheria’

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Lançado ano passado, o livro alça o trabalho dos joalheiros à arte, destaca duas marcas brasileiras e fala sobre a relação das mulheres com seus adornos de ouro

No ano em que as joias ficaram restritas às telas de celulares e computadores, o mercado joalheiro foi presenteado com o livro ‘Coveted: Art and Innovation in High Jewelry (em tradução livre: ‘Cobiçada: arte e inovação na alta joalheria’), da jornalista e autoridade em joalheria contemporânea Melanie Grant.

Após 3 anos de pesquisa e 150 joalheiros entrevistados, em outubro de 2020, o livro foi publicado pela editora Phaidon. Dividido em cinco capítulos temáticos, com 208 páginas e 150 imagens, ele traz as principais evoluções do design ao longo dos tempos e seu efeito duradouro sobre designers e consumidores contemporâneos, bem como inovação e habilidade artesanal.

A autora explora o trabalho de 75 joalheiros, dissecando a abordagem conceitual, escolha de materiais e qualidade de design, ao mesmo tempo em que busca revelar o que torna essas criações não apenas itens procurados de moda e de luxo, mas também obras de arte.

Discorrendo sobre a alta joalheria e sua crescente associação com o mundo da arte – da conexão de Fabergé com a Art Nouveau à colaboração de Salvador Dalí com Verdura – a autora fala que as joias sempre foram consideradas inferiores às belas artes e o propósito do livro é desafiar essa hierarquia: “Nós lutamos para chamar a joalheria de arte por causa de seu valor intrínseco, porque é percebido como algo relacionado a artesanato e materiais, onde belas artes se referem a ideias. Mas, a arte tem seus próprios laços comerciais e as joias são muito mais do que a beleza ou o custo de seus materiais. Isso não é arte?”

A publicação aborda ainda questões mais relevantes para a alta joalheria contemporânea como o modernismo, o intercâmbio cultural entre oriente e ocidente e seu efeito no design, a evolução de materiais inovadores crescente e o empoderamento das mulheres.
Marcas brasileiras como H.Stern e Fernando Jorge são citadas no livro. Segundo a autora, a pulseira Feathers da H.Stern é uma das joias que se destacam no livro por ser uma “peça de engenharia com literalmente milhares de minúsculas penas de metal conectadas por elos que repicam enquanto se movem juntas”. E completa: “A cultura indiana valoriza muito o som que as joias fazem quando uma mulher entra na sala, quase como um método de sedução e gosto dessa ideia. Esta pulseira, na verdade, é uma homenagem à tradição nativa americana de tecer penas nas roupas e no cabelo para mostrar grande reverência ao mundo espiritual”.

Pulseira Fexathers, H.Stern, 2004.
Foto: cortesia H.Stern para o livro Coveted.

Fernando Jorge é mencionado por seu talento de trazer à joalheria as curvas suaves e sensuais que dominam a cultura nativa do Brasil. No entanto, o joalheiro também é enaltecido pela autora por suas joias mais recentes que estão mais gráficas e abstratas. Segunda ela, a medida em que a maturidade chega à Jorge, suas peças ficam mais complexas com articulações e efeitos sensacionais. Além da pulseira vazada, “o brinco Satélite parece cósmico, como se fossem planetas em miniatura orbitando um universo distante”, brinca Grant.

Joias Fernando Jorge
Crédito: Divulgação Fernando Jorge.

A relação das mulheres com as joias
Um dos capítulos do livro é dedicado ao crescente papel das mulheres no universo da joalheria. Para Grant, “agora que mais mulheres estão comprando joias para si mesmas, elas estão afirmando seus próprios gostos e buscando peças mais incomuns e esculturais – um pouco de ousadia para vestir”.
“Quando você compra joias para si mesma, é para refletir quem você é”, observou ela. “E as mulheres estão pedindo coisas mais poderosas, afirma a autora.”

Em entrevista à publicação britânica ‘Love Magazine’, Melanie Grant falou sobre essa evolução da relação que as mulheres têm com as joias. “No meu livro, falo sobre Elizabeth I porque ela usou joias para afirmar seu domínio, criando uma presença tão surpreendente, tão magnífica com pérolas enfiadas em seus cabelos e pedras preciosas colocadas em suas roupas que seus detratores ficaram maravilhados. O poder feminino mudou muito desde então e como as mulheres entraram na força de trabalho em maior número após a Segunda Guerra Mundial e começaram a ganhar seu próprio dinheiro, elas começaram a comprar joias para demonstrar seu gosto individual e poder econômico. Nos anos 80, as mulheres começaram a escalar profissionalmente o Wall Street e as grandes cidades, mas acho que elas tinham medo de mostrar feminilidade demais, então as joias eram reduzidas ao mínimo, como um colar de pérolas ou um par de pequenos diamantes. Agora vejo CEOs com grandes colares, presidentes com enormes broches e empresárias com anéis de abrir a boca. Isso me diz que nossa jornada com as joias está evoluindo junto com o poder feminino na sociedade.”

Quando questionada sobre a indústria joalheira ser dominada principalmente por designers do sexo masculino, ela respondeu: “Eu acho que isso está mudando conforme as mulheres ganham mais confiança e tentam coisas novas. O alto custo dos materiais (pense em diamantes grandes, ouro, platina e contratação de colaboradores) para fazer as peças acabadas) pode atrapalhar os planos para uma alta joalheria, mas muitas mulheres estão desafiando a ideia do que as joias podem ser. Evelyn Markasky (Califórnia) usa cobre, concreto, cartões de crédito derretidos e até macarrão de arroz em seu trabalho. Outros, como Claire Choisne, diretora de criação da Boucheron em Paris, usou aerogel em sua mais recente coleção de joias, uma substância que a NASA usou para capturar a poeira estelar. Essas mulheres representam uma nova geração de inovação, o que para mim diz: se você não consegue entrar no clube, comece o seu próprio”.

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