Como os aplicativos têm transformado o varejo

Assumindo um papel importante do pré ao pós-venda, essas ferramentas são consideradas pelos consumidores facilitadoras da marca, além de trazerem a percepção de preços melhores

Por Mariana Missiaggia

Foto: Pixabay

Imediatistas e sem tempo ou vontade de ir às compras na loja física, os consumidores se acostumaram a comprar em pequenas quantidades, receber produtos em casa e aproveitar promoções personalizadas. O amadurecimento dos hábitos de compra pelos canais digitais fez com que o volume de transações via smartphones ganhasse ainda mais força.

De acordo com um levantamento recente da Internet Media Services (IMS), cada aparelho smartphone no Brasil possui, em média, 16 aplicativos instalados. Esse número coloca o país como o segundo mercado de aplicativos de compras que mais cresce no mundo.

Além de animadores para o comércio, os dados citados comprovam o poder e o papel dessa ferramenta na transformação do varejo nos últimos anos. Em um bate-papo sobre o assunto, Ana Fritoli, especialista de insights para varejo no Google, e Vinicius Zimmer, líder de apps no Google, confirmam que nesse novo cenário surge mais um desafio para as marcas – manter o interesse do usuário em seus aplicativos.

Assumindo um papel importante do pré ao pós-venda, de acordo com Ana, os aplicativos funcionam bem na hora de explorar os lançamentos, escolher os produtos e montar o carrinho. Eles também se tornam fundamentais no pós-venda, pois tornam as trocas mais fáceis, permitem consultar e acompanhar pedidos e também trazem a percepção de preços melhores.

Outro ponto a favor dessas ferramentas citado pela especialista está relacionado à facilidade, tanto para encontrar os produtos, quanto para fechar a compra, com poucos cliques.

Tudo isso, segundo Zimmer, contribui para uma verdadeira transformação do varejo. A seguir, entenda o que torna essa interação diferente, baseado em perspectivas do Google.

EXPERIÊNCIAS PRÁTICAS
Os aplicativos geram experiências mais práticas, convenientes e rápidas. Comparando os três tipos de canais digitais (aplicativo, site acessado pelo computador e site acessado pelo celular) percebe-se que os aplicativos trazem mais conveniência e mobilidade, diz Ana.

Um aplicativo agrega melhor a vida do usuário – por lá é possível acessar melhor os pedidos e conhecer novidades. O aplicativo, segundo Zimmer, é o símbolo do favoritismo de determinadas lojas, pois pesquisas do Googles mostram que 26% das pessoas querem ter suas marcas favoritas na tela do seu celular. “O ponto de venda físico sempre foi algo muito essencial, e continua sendo. Mas o celular é possivelmente o lugar onde uma marca mais tem probabilidade de impactar uma pessoa”, diz Zimmer.

Segundo o especialista, esse cenário deu origem ao que no Google é chamado de nova prateleira – um lugar premium, onde as marcas querem e devem estar.
Esse é um lugar disputado. Quem nunca instalou um aplicativo, depois o deletou, e instalou um novo no lugar?

Esse lugar tem sido muito disputado pelas marcas e é muito dinâmico para os consumidores. E com a intensificação do comportamento digital, a tendência é que as marcas passem a competir cada vez mais por esse espaço.

E essa corrida, segundo Ana, acontece também em escala global, já que agora as varejistas competem não apenas com seus vizinhos de loja física, mas com lojas de outros países.

APPS ALÉM DA VENDA
Já há também muitos exemplos de aplicativos sendo usados não propriamente para vendas. Eles oferecem conteúdo para o consumidor e podem integrar marcas de um mesmo grupo ou serviços que uma varejista oferece, como, por exemplo, serviços financeiros. “Ou seja, vemos o aplicativo como um ponto importante para a inovação dentro do varejo e dá para ver que ainda tem muita coisa pela frente”, diz Ana.

Mariana Missiaggia é repórter do Diário do Comércio

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