Gema rara é descoberta na ilha do Ártico

Mineral é pouco conhecido do grande público, mas cobiçado por colecionadores

Por Débora Rodrigues

Philippe Belley se dedicou a estudar como as pedras preciosas se formam. E foi no Ártico canadense na Ilha de Baffin, que o recém-formado PhD do departamento de ciências da terra, do oceano e da atmosfera, conheceu uma das gemas mais raras já descobertas. “Ali aprendemos muito sobre como algumas gemas únicas são formadas, o que mudará a forma como as pessoas procuram por elas.”

Ele e o mineralogista Lee Groat, publicaram o primeiro estudo científico do espinélio azul-cobalto do Canadá. Este é um mineral desconhecido para o público em geral, mas produz pedras preciosas cobiçadas por colecionadores e conhecedores em todo o mundo. O espinélio vem em uma variedade de cores que variam de vermelho e rosa para violeta e azul e as pedras finas são valorizadas por sua cor natural intensa e alta transparência, ambas as medidas de qualidade da gema. “Há um interesse grande no espinélio azul-cobalto para a produção de gemas e joias”, disse Belley, um admirador da cor azul intensa.

Mesmo pequenas pedras com boa transparência e cor azul-cobalto podem ser vendidas por cerca de dez vezes o preço de uma safira. Mas a oferta é um problema e até mesmo a produção dessa gema, vinda do Vietnã, é limitada e esporádica. “A exploração de gemas coloridas é geralmente difícil devido ao terreno desafiador ou à vegetação densa nas principais áreas produtoras, como o Himalaia e o Vietnã. A maioria das pedras preciosas é encontrada acidentalmente”, disse Belley. “Mas há uma excelente exposição de rochas na Ilha Baffin, o que facilita a exploração e o uso de técnicas mais avançadas, como imagens usando drones ou satélites.”

Os pesquisadores analisaram catorze ocorrências de espinélio na ilha de Baffin, incluindo duas ocorrências desta gema em azul-cobalto, para entender melhor como ele se forma. Ali, a gema se formou há 1,8 bilhão de anos a partir de depósitos sedimentares de margas dolomíticas e calcários com dolomita. Estas rochas sedimentares metamorfosearam-se a temperaturas de cerca de 800ºC sob imensa pressão. Belley e Groat descobriram que o ingrediente mágico que produz a cor azul única – o cobalto – estava presente apenas em concentrações suficientemente altas para produzir pedras preciosas em áreas pequenas e localizadas.

De acordo com Belley, o espinélio da Ilha Baffin contém até 500 partes por milhão de cobalto, o que lhe confere uma cor azul vívida que é comparável às melhores fontes do mundo.

A geologia da Ilha tem sido um verdadeiro campo de gemas de descoberta científica para os pesquisadores. A equipe também analisou safiras Beluga que foram usadas no broche de jubileu de safira da rainha e uma ocorrência de lápis-lazúli. “A ilha de Baffin é geologicamente semelhante ao Himalaia, onde algumas das melhores gemas do mundo foram encontradas”, disse Belley. “O Canadá não tem sido amplamente reconhecido como uma fonte de pedras preciosas coloridas, mas nossa pesquisa sugere que temos todos os ingredientes certos”.

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