Gestão de Pessoas: geração Z demonstra engajamento mais baixo em comparação com as gerações mais velhas

Em compensação, a Geração Y é mais crítica em relação aos benefícios. Veja o cenário do engajamento nas empresas a partir dos dados da pesquisa

Por Camila Petry Feiler*

Quando se trata de comprometimento trabalhista, o colaborador do Brasil apresenta uma média de 80% em relação à América Latina. Ainda assim, os desafios envolvem o respeito ao tempo livre, o trabalho em equipe e o olhar para a inovação. Além disso, os mais novos, como a Geração Z, estão menos engajados que as gerações mais velhas.

Os dados foram apresentados pela Betterfly, plataforma corporativa que integra bem-estar, proteção e impacto, no estudo Betterwork, uma radiografia do compromisso e engajamento da pessoa colaboradora com a empresa em que trabalha, elaborada em parceria com a Criteria. Veja alguns destaques:

Cultura

O respeito à diversidade em todas as suas formas e a igualdade de tratamento se revelam como um valor predominante entre as empresas. Os desafios parecem estar no respeito ao tempo livre e ao trabalho em equipe.

Clima

Vai bem: quanto aos indicadores climáticos, a relação com a liderança e a equipe de trabalho aparecem como os aspetos mais bem avaliados, enquanto o reconhecimento do desempenho aparece como a dimensão de menor desempenho.

Propósito

A declaração expressa de um propósito nas empresas é o aspecto mais bem avaliado, porém este diminui quando são avaliadas iniciativas relacionadas ou de congruência com o propósito pessoal do colaborador.

O que o brasileiro valoriza no ambiente de trabalho?

Os brasileiros consideram legado o quesito de maior profundidade no compromisso com as empresas em que trabalham. Também entra em destaque a promoção do uso dos benefícios em comparação com os demais países avaliados. 31% dos entrevistados consideram o benefício de proteção como o mais importante, seguido pelos benefícios econômicos (18%), flexibilidade (15%), bem-estar mental e reconhecimento (10% cada).

Ao final da lista estão desenvolvimento profissional (8%), bem-estar físico (4%) e bem-estar financeiro (4%).

“Em termos geracionais, a Geração Y (millenials) é a mais crítica em relação ao mundo dos benefícios”, explica Cristian Munita, diretor da Criteria Chile, em coletiva de imprensa. Para ele, o impacto pode ser oriundo de questões familiares — a Geração Y tem mais filhos e se preocupa mais com estes cuidados por parte da empresa.

Trabalho remoto impacta comprometimento dos colaboradores

“Os dados parecem indicar que as pessoas constroem seu compromisso de trabalho de diferentes maneiras e a modalidade de trabalho é uma expressão disso. O presencial tem um custo, mas recebe como recompensa um vínculo mais profundo das pessoas com sua organização”, diz o responsável pela pesquisa. Para ele, a dimensão do propósito acaba prejudicada com o trabalho remoto, porque gera níveis de engajamento mais superficiais. Afinal, o engajamento é construído e estar no dia a dia pode ajudar muito.

Embate geracional

As empresas têm o desafio de aumentar o comprometimento nas gerações mais jovens, que demonstram um engajamento mais baixo em comparação com as gerações mais velhas. Isso porque nos colaboradores mais velhos, há uma forte valorização das dimensões de reconhecimento social, como prestígio, orgulho e recomendação, enquanto nos millennials e centennials esses números caem acentuadamente. Os millennials também são muito críticos em questões relacionadas a propósito.

Por que importa?

Ouvir os colaboradores neste momento é a chave para conseguir reter os talentos e melhorar a rotina e engajamento internamente. Afinal, a entrega e o comprometimento no trabalho podem ser traduzidos como uma peça importante para o desenvolvimento pessoal e profissional, no qual as organizações também são beneficiadas. E, claro, o jogo de cintura para lidar com os olhares diferentes das gerações para o trabalho.

*Camila Petry Feiler é jornalista focada em empreendedorismo, inovação e tecnologia. É formada em Jornalismo pela PUC-PR e pós-graduada em Antropologia Cultural pela mesma instituição. Tem passagem pela redação da Gazeta do Povo e atuou em projetos de inovação e educação com clientes como Itaú, Totvs e Sebrae. Artigo para StarSe.

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