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Entenda por que marcas não escolhem cores por acaso e como isso afeta o branding

Entenda por que marcas não escolhem cores por acaso e como isso afeta o branding

Entenda por que marcas não escolhem cores por acaso e como isso afeta o branding

A psicologia das cores vai muito além da estética e influencia diretamente a percepção, o posicionamento e a decisão de compra

UNPLASH TIFFANY

Por Luana Araújo*

Marcas não escolhem suas paletas de cores ao acaso. Por trás de um simples tom, existe uma estratégia baseada em ancestralidade, psicologia e comportamento do consumidor. 

Desde a fome provocada pelo vermelho da Coca-Cola até a sofisticação do azul Tiffany, cores ativam memórias profundas no subconsciente e moldam a relação que temos com produtos e serviços.

Segundo Hugo Cavalari, especialista em marketing digital, as cores ativam mecanismos cerebrais primitivos. “O vermelho está presente no cérebro humano há milhões de anos. Ele remete à fome, à atenção, ao perigo. Vem da época em que caçávamos e víamos o sangue da presa ou uma cobra venenosa cruzando o caminho”, ele explica.

Esse tipo de memória ancestral influencia até hoje nossa tomada de decisão, inclusive na hora de escolher um produto na prateleira do supermercado.

Ele afirma que a cor também é uma ferramenta de diferenciação. Marcas como o Nubank, desafiaram a lógica do setor bancário ao usar roxo, uma cor até então impensável para transmitir segurança financeira. “Eles entenderam o público jovem, que estava aberto a essa disrupção. A escolha da cor foi fundamental para romper com o tradicional e marcar território”, afirma o especialista.

A psicologia da cor como estratégia de marca

O uso de cores está diretamente ligado ao posicionamento. Antes de definir uma paleta, marcas cruzam estudos de psicologia das cores com o perfil do público-alvo.

Se quero transmitir tranquilidade e confiança, vou para o azul. Se quero algo mais energético, escolho o amarelo ou o laranja. É esse estudo que garante coerência entre o que a marca é e o que ela transmite”, explica.

A análise também considera o mercado e a concorrência. O objetivo é destacar-se sem perder sintonia com os valores do público. “Se você coloca um frasco preto, como algumas marcas fizeram, rompe o padrão visual e se destaca imediatamente na gôndola”, exemplifica.

Mais do que chamar atenção, a cor precisa gerar identificação. “Ela não pode ser só bonita. Precisa conversar com o cérebro do consumidor”, resume.

Quando uma cor vira assinatura

Algumas marcas levam a estratégia a um nível ainda mais sofisticado: transformam a cor em um ativo exclusivo. Um exemplo clássico é o azul Tiffany. 

“A marca criou um tom de azul que não existia e o transformou em símbolo de luxo. Foi tão forte que conseguiu registrar a cor. É como se tivesse patenteado um sentimento”, destaca o especialista.

Hugo acredita que a conexão emocional e simbólica é o que torna o uso da cor tão poderoso no branding. Mais do que preencher espaços, ela molda narrativas, constrói identidade e gera valor.

Afinal, como reforça o especialista: “Não é só estética. É instinto. É inconsciente. E as marcas sabem disso”.

* Luana Araújo para Exame

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