Nova tecnologia pode ajudar a detectar novos depósitos de diamantes

Segundo estudo, pode haver mais de um quatrilhão de toneladas de diamantes escondidos no interior da Terra

Gabriel Moura

Cientistas russos divulgaram a informação de que criaram uma nova tecnologia que ajudará a detectar campos de kimberlito por meio de ondas sísmicas. A nova tecnologia será testada em campo em março de 2019.

O geofísico sênior do programa de exploração geofísica ALROSA, Evgeniy Goncharov, explicou como a nova tecnologia poderia ajudar a descobrir diamantes. “Ondas sísmicas ao passar por diferentes tipos de rochas mudam sua propriedade, o que nos ajudará a determinar os tubos de kimberlito. Para criar um mapa 3D da área subterrânea, é importante fazer as medições em diferentes profundidades, assim, os detectores se moverão pelos furos em degraus de 2-4 metros ”, disse ele.

Segundo o relatório, dois orifícios com profundidade de até 130 metros devem ser perfurados para poder usar a tecnologia. Eles precisam estar a pelo menos 250 metros um do outro. Então o emissor é colocado em um deles, produzindo ondas sísmicas e no outro buraco há um detector que registra a atividade das ondas.

Essas ondas se movem com uma velocidade diferente através de diferentes tipos de rochas e podem cobrir a distância de até 250 metros. Os dados recebidos podem ser utilizados para determinar que tipo de rocha é mais provável um kimberlito. No entanto, essa tecnologia exige muito financiamento e é por isso que a maioria das empresas de mineração prefere se concentrar nos já conhecidos depósitos de diamantes.

No último ano, cientistas disseram que pode haver mais de um quatrilhão de toneladas de diamantes escondidos no interior da Terra, de acordo com um novo estudo do MIT e de outras universidades. Mas os novos resultados não deverão provocar uma corrida aos diamantes. Os cientistas estimam que os minerais preciosos estão enterrados a mais de 100 milhas abaixo da superfície, muito mais profundo do que qualquer expedição de perfuração já alcançou.

O diamante pode estar espalhado em raízes cratônicas – as partes mais antigas e inamovíveis da rocha que ficam abaixo do centro da maioria das placas tectônicas continentais. Em forma de montanhas invertidas, os crátons podem se estender até 320 quilômetros através da crosta terrestre e entrar em seu manto; os geólogos se referem a suas seções mais profundas como “raízes”.

No novo estudo, os cientistas estimam que as raízes cratônicas podem conter 1 a 2% de diamante. Considerando o volume total de raízes cratônicas na Terra, a equipe calcula que cerca de um quatrilhão (10 16) toneladas de diamantes estão espalhados dentro destas rochas antigas, de 90 a 150 milhas abaixo da superfície.  “Isso mostra que o diamante não é talvez esse mineral exótico, mas na escala [geológica] das coisas, é relativamente comum”, diz Ulrich Faul, pesquisador do Departamento de Ciências Terrestres, Atmosféricas e Planetárias do MIT. “Não podemos chegar até eles, mas ainda assim, há muito mais diamante do que jamais pensamos antes.”

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