O Novo Black Friday

O Black Friday como conhecemos morreu. E isso pode ser uma oportunidade      

Por Pedro Eugênio

Todos os anos nos deparamos com vídeos de pessoas se amontoando ou dormindo na frente de lojas, esperando ansiosos, as portas se abrirem. Dentro delas não é diferente: vemos uma multidão se acotovelando na esperança de realizar aqueles desejos e necessidades que passaram o ano todo nutrindo.

O Black Friday em poucos anos se tornou a maior data comercial brasileira. Saímos de menos de R$ 3 milhões de faturamento — quando tropicalizei a data por aqui — e já rompemos a barreira dos bilhões alguns anos depois.

A data também é esperada (e muito) para quem vende. Seja o pequeno consumidor, que vê no Black Friday a oportunidade de dobrar ou muitas vezes triplicar suas vendas; passando pelo grande varejista, que monta uma operação de guerra para desovar seus estoques encalhados.

Já do lado dos consumidores, com o décimo terceiro nas mãos, ansiedade e grandes descontos, o resultado não poderia ser outro: comprar.

Mas este ano será diferente. Muito diferente

O Black Friday como descrevi acima acabou. Veio a pandemia e mudou tudo o que conhecíamos, inclusive os hábitos de consumo.

O consumidor está com medo. Diversas pesquisas, matérias e relatos mostram que mesmo com a abertura comercial em algumas regiões, o consumidor não está saindo para comprar. Os varejistas brigam por alguns meros consumidores que se arriscam em sair de suas casas.

Neste ano, não vejo as empresas juntando os seus times e planejando maneiras de seduzir os consumidores com suas estratégias e arsenais de neuromarketing, que fazem despertar os instintos mais selvagens de compra. Isso já está diferente.

E anote aí o que vou dizer: será cada vez mais frequente aparecer notícias de lojas tomando a decisão de não abrirem no Black Friday. Arrisco a dizer até mesmo no Natal, se uma cura não for encontrada até lá.

Há três semanas escrevi sobre este assunto em um grupo fechado com grandes nomes do mercado. E as mensagens que recebi confirmaram minha suspeita: todos estavam pensando em não abrir suas lojas.

“Black Friday é sinônimo de aglomeração, lojas cheias, confusão, calçadas lotadas à espera da abertura das lojas. E nada disso vai acontecer nesse ano”, disparou Renato Mendes, um dos profissionais com mais bagagem e ativo do nosso mercado digital.

Pesquisando sobre o Black Friday em outros países, notei que lojas como a norte-americana Walmart já decretaram o fechamento físico total ou parcial no período de ouro do varejo.

O Novo Black Friday

É assustador? Sim, com certeza. Mas se olhar o copo meio cheio, você verá diante de seus olhos a oportunidade da década. Explico.

Segundo o índice MCC-ENET (desenvolvido pelo Comitê de Métricas da camara-e.net), 95% das compras de todo o varejo acontece no mundo físico. Se as lojas estarão fechadas e o desejo do consumidor por comprar continua altíssimo, para onde vai todo este mar de gente?

Acertou quem respondeu que vão comprar no mercado digital. E isso mudará tudo que conhecemos sobre o Black Friday. Agora teremos o “Novo Black Friday”.

Batizei de o Novo Black Friday a super oportunidade onde as vendas e promoções do Black Friday acontecerão, em sua esmagadora maioria, no ambiente digital. As pessoas não poderão (ou terão medo de) comprar no varejo físico e irão inundar as vendas do digital.

Teremos que amadurecer muito esta discussão se quisermos aproveitar esta nova onda de consumo digital.

Marketing de Facilidade

As empresas terão que facilitar ao máximo o processo de compra e reduzir os atritos nesta jornada. Chamei isso de o Marketing de Facilidade. Teremos que fazer de tudo para ajudar o consumidor a comprar mais rápido e melhor. Por isso que empresas que investem desde já em vendas por WhatsApp, Instagram, E-commerce, Telegram, Live Commerce e bazares online estão crescendo muito neste momento e terão um oceano azul pela frente.

Quem não estiver presente no mundo digital estará fora do jogo. Qualquer pessoa, qualquer empresa, seja ela pequena, média ou grande, poderá se beneficiar.

Novos aplicativos serão lançados para dar às pessoas mais poder e opção de compra. E, às empresas, eles serão fundamentais para gerar novas formas de venderem seus produtos de uma maneira muito fácil.

Quem já percebeu isso está realizando vendas digitais absurdas, com uma experiência de Black Friday diária, não limitando-se apenas em um período do ano.

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