O que os consumidores de luxo anseiam nessa fase pós-pandemia?

Modelos alternativos da economia circular deverão se tornar ainda mais evidentes

Manu Berger

 

Foto: Istok

Nos últimos meses, durante a atuação de alguns dos meus serviços, como treinamentos e palestras, esta, talvez, tenha sido a pergunta mais recorrente que recebi: o que mudou para os consumidores depois da pandemia e o que eles anseiam nesse momento?

Estamos falando muito sobre a aceleração digital, o posicionamento do público em relação às ferramentas online e como isso afeta ou não o consumo de bens de luxo ou de serviços de alto padrão, sempre pensando em um mercado onde a resiliência se faz presente desde sempre.

O mercado de luxo é o segmento mais invulnerável e, por isso, traz tantas referências e inspirações. Porém, ele também trouxe números em queda no último ano, assim como também é possível ficar otimista com o contraponto da ascensão em alguns casos.

Durante um debate no Salon Du Luxe, foi revelado que quase 40% dos consumidores afirmam que a pandemia fez questionar seu consumo de produtos de luxo. E dentro dessa porcentagem, separamos por idade, trazendo um público acima de 40 anos que demonstra que a relação deles com o dinheiro mudou inevitavelmente, o que pode implicar uma restrição futura.

Segundo Meryam Schneider, vice-presidente da Altiant (um fornecedor de dados especializado em insights para empresas de luxo e gestão de patrimônio), o consumidor fará compras mais refletidas e menos impulsivas, terá menor atenção em objetos ou coleções efêmeras, maior atenção focada na origem dos produtos e na qualidade. E ainda se importará com a redução de consumo de produtos não sustentáveis e estará mais suscetível a comprar produtos locais.

Seguindo essa linha de tendência, já é possível avaliar que modelos alternativos da economia circular no luxo, ou seja, venda de produtos de luxo de segunda mão e aluguel de artigos de luxo, serão ainda mais evidentes. A venda de segunda mão ou “Pre-Loved Luxury”, como é chamado, tende a crescer muito mais em relação ao mercado primário. Um gatilho para esse movimento, pode ter sido a diminuição de eventos sociais e a falta de necessidade de estar nesses ambientes.

Outro fator que já é bem visível e perceptível é o crescente número de compras online, se fazendo necessárias estratégias nesse universo para criar desejo e gerar relacionamento com os clientes conectados.

E nesse quesito, as grandes marcas de luxo demonstraram generosidade, a sua adaptabilidade, a sua criatividade, pensando evidentemente nos grandes conglomerados, assim como os grupos hoteleiros, chegando ao setor do turismo: um nicho que definitivamente vai de vento em popa, já que a grande motivação do consumidor é a experiência.

Fonte: Manu Berger é especialista em mercado de luxo, mentora empresarial, CEO do portal Terapia do Luxo e diretora da TdL Agency.

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