Para primeira diretora criativa da Swarovski, joias são uma forma de representação de estado de espírito

As peças da Collection I saíram do “Wonderlab”, espaço criativo da Swarovski que une ciência e criatividade

Ana Cipriano/ Forbes

Swarovski
Swarovski Foto: Divulgação

A italiana Giovanna Engelbert, que trabalha como colaboradora da Swarovski desde 2016 e tornou-se em maio de 2020 a primeira diretora criativa global da marca, teve os detalhes da sua primeira coleção desde que assumiu o posto divulgados no mês passado.

A Collection I foi inspirada pelos desenhos de Daniel Swarovski, um dos criadores da marca, e combina a perfeição de elementos geométricos com a delicadeza e perfeição dos cristais.

As criações da Swarovski acontecem no que é chamado de “Wonderlab”, um mundo imaginário da marca, onde ciência e magia se conectam e se expressam através das facetas dos cristais.

As joias foram desenhadas pensando no mundo atual, onde grande parte das interações sociais passaram a ser virtuais e toda a atenção do público é voltada para pescoço, cabeça e orelhas. Pensando nessa nova realidade, Giovanna, que trabalhou com marcas como Carolina Herrera, Dolce & Gabbana, Michael Kors e Christian Dior, decidiu investir em acessórios marcantes e extravagantes para essas partes do corpo.

As peças Collection I chegam ao Brasil a partir do dia 5 de abril e estarão disponíveis nas lojas físicas e no e-commerce da marca.

A Forbes conversou com a diretora criativa da marca para entender quais são as transformações e tendências que o design de joias vai experienciar daqui para frente. Veja a entrevista com Giovanna Engelbert:

Forbes: Você trabalha com a Swarovski desde 2016 e foi anunciada pela marca no ano passado como a diretora criativa global. O que a encorajou e motivou a começar a trabalhar com joalheria?

Giovanna Engelbert: Simplesmente veio naturalmente para mim. A jornalista e ex-editora da “Vogue Itália” Franca Sozzani foi quem me deu o meu primeiro cargo oficial na joalheria. Fui chefe editorial de joias da “Vogue Itália” por dois anos antes de me mudar para Nova York. Essa era minha posição oficial como editora, mas ela me deu, porque eu tinha uma paixão que era quase uma obsessão pelo design de joias.

 

F: Essa posição é nova na Swarovski. Quais são os principais desafios?

GE: A empresa está em transformação e estamos na era Covid-19. Em termos de comunicação, tudo tem que ser adaptado. O desafio é que não podemos fazer planos de longo prazo, mas acho que isso também é um diferencial, porque nos dá flexibilidade para ter uma mentalidade mais aberta em uma empresa como essa. Em uma grande corporação, a flexibilidade nem sempre é o primeiro atributo e a Covid-19 realmente nos força a ser mais flexíveis. É um desafio, mas também uma grande oportunidade. Estamos lançando a coleção digitalmente, mas também conseguimos fazer isso em algumas lojas. A primeira vez foi em Milão e vamos fazer o mesmo em Paris em breve. Vai ser uma grande alegria, porque será um momento físico e nós vamos tratar essa inauguração como uma uma instalação, um momento de escapismo. É muito valioso quando podemos realmente ter um momento presencial. Será uma experiência imersiva, uma “maravilha instantânea”, que é como chamamos nossas lojas físicas.

F: Como você analisa o design de joias atualmente e as tendências que estão por vir?

GE: Na Swarovski, as coleções serão expandidas e não será “descarte, próxima coleção”. Nós produzimos acessórios e existe uma transição entre todas as temporadas para que as coleções façam sentido. Isso também enriquece as peças. Por isso, as coleções acabam se afastando um pouco das tendências e isso já está no nosso DNA como marca. Essa mistura é perceptível nas nossas coleções, que utilizam cores diferentes e valorizam o design, tornando-o mais forte e realmente construindo ícones para o mundo. O design dos nossos produtos não é descartável. A intenção é sempre construir uma coleção.

F: Como o setor de design de joias está se reinventando e como essas transformações se manifestam nas peças?

GE: Os acessórios agora estão mais acessíveis e as pessoas podem usá-los mais. Existem sapatos, bolsas e joias, que estão muito atrelados à gratificação instantânea e ao fato de que as pessoas podem usá-los várias vezes. Isso torna as peças uma “mercadoria” especial. É como a famosa Sarah Jessica Parker diz: “Quero ver meus investimentos pendurados no meu armário.” A tendência de uso de acessórios já está entre nós há muito tempo e vejo que realmente há muito espaço para joias, embora o foco tenha sido em bolsas e sapatos. Nesse sentido, o design de joias poderia ter um espaço no mercado muito bom. As joias são mais sobre como as pessoas que as usam vivem. Não é um símbolo de status, mas um estado de espírito, uma maneira de ser confiante e expressivo. Isso é o que as torna mais emocionantes, joias que são, acima de tudo, lúdicas.

Não existem comentários ainda

Comentar

Seu email não será publicado