Quase 40% dos trabalhadores buscariam outra empresa se não houvesse mais home office, indica pesquisa.

Estudo mostra ainda que três em cada quatro pessoas reconhecem o trabalho remoto não como benefício, mas como uma forma de trabalhar

Fonte: Agência O Globo

Foto: karlyukav – freepik.com

 

Com a pandemia e a necessidade do distanciamento social para diminuir a contaminação, a adoção do home office nas empresas cresceu e veio para ficar, de acordo com uma pesquisa da consultoria de recursos humanos (RH) Robert Half, divulgada na última quinta-feira, dia 14.

O estudo revelou que 38% dos trabalhadores procurariam um novo emprego caso o atual não permitisse o trabalho remoto, mesmo que só em alguns dias da semana. A visão de 76% dos pesquisados é que o trabalho remoto não é um benefício, mas sim uma forma de trabalhar.

Vitor Silva, gerente de operação da Robert Half no Rio de Janeiro, apontou que o modelo mais escolhido tem sido o híbrido, com uma divisão quase pela metade de dias em casa e dias no escritório. “As pessoas estão gostando desse modelo, porque você mantém a flexibilidade, consegue ter uma rotina boa, mas também não perde o contato pessoal que o ambiente de trabalho agrega, agilidade de decisão, interação social”.

A maior parte dos trabalhadores preferem mais dias em casa do que no escritório, chegando a 63%. Outros 17% preferem passar mais tempo no local de trabalho. São 11% os que desejam trabalho totalmente remoto e 4% totalmente no escritório. Os 4% restantes não souberam responder.

 

Diversidade na pauta
Além de poder trabalhar remotamente, outro ponto que está sendo levado em conta pelos trabalhadores no momento de procurar emprego é o compromisso com a diversidade e com as diretrizes de ESG (meio ambiente, social e governança) das empresas.

A pesquisa mostrou que 83% dos profissionais consideram importante a empresa ter uma agenda ESG para aceitar uma oferta de trabalho. Para 50% dos profissionais, eles não trocam de emprego porque a atual empresa adota práticas ESG e isso os motiva a continuar no posto. “Tem entrado na conta das pessoas, não só o salário, não é só pacote de benefícios, mas também o posicionamento daquela empresa em relação à política de sustentabilidade, emissão de carbono, o impacto daquela empresa na sociedade”, disse Silva.

A questão da diversidade aparece nas políticas de contratação das empresas. De acordo com o estudo, 90% das empresas ouvidas fizeram alguma mudança no processo de recrutamento para garantir diversidade nas contratações.

Entre essas alterações, 62% adaptaram os anúncios para atrair talentos mais diversos e 43% começaram a usar currículos cegos, quando o avaliador não sabe o gênero ou etnia do candidato.

Esse movimento é positivo para o resultado da empresa. O estudo apontou que para 41% delas, mais diversidade melhora a produtividade e para 38%, impacta positivamente na cultura da empresa.

O gerente de operação da Robert Half no Rio de Janeiro ainda destacou que de dois ou três anos para cá, as empresas começaram a tirar do papel seus projetos para diversificar suas equipes porque via essa melhora na produtividade e para se adequar aos consumidores, que também estão cada vez mais diversos. Além disso, é uma estratégia para reter talentos. “Por exemplo, uma empresa fala que é diversa, mas se alguém fizer uma piada homofóbica dentro de casa e ‘eu’ não tomo ação nenhuma, quem é LGBTQIA+ não vai ficar nessa empresa” — finalizou Vitor Silva.

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