Tendências para um mundo pós-Covid

Inova Consulting divulga os cenários que se anunciam após a pandemia

Por Erica Mendes

Na semana passada, a Inova Consulting publicou um ‘white paper’ sobre as ‘Tendências para um mundo pós-Covid-19’. O conteúdo resulta da análise e observação atenta do fenômeno coronavírus, não do ponto de vista médico, mas sim dos futuros impactos e das principais tendências que deverão emergir no pós-pandemia.

A maneira como cada um dos temas serão abordados e aplicados dependerá do DNA de cada empresa, negócio e região. Mas como diz o ditado ‘o tempo urge’ e estará na frente quem sair desta crise melhor preparado para enfrentar uma nova realidade. Por isso, entenda os principais efeitos e legados que esse caos atual deixará.

1. CoCooning & Encapsulamento 2.0

De repente, todos estão confinados dentro de suas casas, mas quando a pandemia passar muitos continuarão neste encapsulamento, pois encontraram nele outras formas, quiçá mais eficazes, de trabalhar, aprender e viver as suas vidas. O encapsulamento será uma das grandes conquistas que o mundo terá, pois propicia outra perspectiva do trabalho, das relações e da vida. É claro que as pessoas voltarão aos escritórios, às fábricas, às escolas e universidades, no entanto, elas poderão escolher quando e como, uma vez que se readaptaram a uma vida mais caseira. As implicações nos modelos de ensino e de trabalho serão profundas e novos modelos de pensamento, produtividade, aprendizagem e entrega surgirão em uma nova realidade.

2. Social Mídia

Primeiro de tudo é importante esclarecer que as mídias sociais e redes sociais não são a mesma coisa. A primeira são espaços para a distribuição de conteúdo (gratuito ou não) e divulgação de marcas. E a segunda são canais de relacionamento entre pessoas, onde elas  fazem e cultivam amizades. Sabido isso é possível entender que as mídias sociais, lideradas pelas redes sociais, são hoje um eixo crítico na vida de todos. O poder da cocriação e a disponibilização de conteúdos por todos que navegam nesta imensa web têm contribuído decisivamente para o aumento de informação disponível e para os níveis de transparência globais. E isso muda radicalmente a forma como os líderes de opinião (pessoas ou empresas) são vistos, afetando a sua credibilidade e reputação.

3. Trabalho e Educação Remotos

Todos aprenderam a trabalhar de forma remota, alçando uma nova realidade. Nunca como agora o nômade digital teve tanta relevância. A gestão remota ganhou um novo significado e mudou radicalmente o trabalho para o futuro: algo que as gerações mais novas e as startups já conheciam, mas que agora abrangeu todos sem exceção, inclusive as empresas mais tradicionais.

A adoção de ferramentas digitais para trabalho e aprendizagem mostra que a transformação digital já aconteceu mesmo naqueles que ainda não achavam relevante esse tema em seus negócios. Isto mostra a capacidade de adaptação e resiliência que negócios e pessoas têm para tentar minimizar o abrandamento da economia e com isso projetar no futuro novos modelos de funcionamento.

4. Conectividade & Infotech

Na mesma velocidade que se busca uma vacina para o vírus, são criadas soluções inovadoras e completas de conexão para a evolução e aplicação da verdadeira 4ª Revolução Industrial. Ela está acontecendo em todo o seu esplendor, mudando as dinâmicas dos negócios, das cadeias de valor, da gestão do conhecimento, da formação e educação de pessoas.

A infotech (revolução tecnológica) representa o crescimento exponencial do poder computacional ao serviço das pessoas e dos negócios. Esta tendência ganhará uma nova força neste início de década e irá acelerar, radical e exponencialmente, a forma como o mundo viverá. A inteligência artificial equipará a inteligência emocional e a busca da singularidade (fusão homem-máquina) dará um novo significado ao termo ‘humano vs.digital’.

5. Humanismo & Solidariedade

A situação que o mundo está vivendo de isolamento, conjugado à crescente consciência social trouxe à tona um maior humanismo e solidariedade com o próximo. Algo inimaginável aconteceu: concorrentes se juntando para apoiar grupos de risco e/ou produzir máscaras ou estruturas hospitalares; marcas suspendendo suas produções para dar vida a outros produtos no combate à epidemia, estando mais preocupadas em ajudar o mundo do que apenas maximizar lucros. Não se tinha registrado até hoje um movimento global tão solidário como este, onde se põem de lado as divergências para um bem maior.

Um dos legados deste momento será a maior consciência e preocupação com o outro dando sentido à expressão: o futuro do ser humano é ser humano. E o papel e as obrigações de cada um só aumentam daqui para a frente na busca de um mundo melhor.

6. Família em 1º lugar

Resultado do isolamento social, visualiza-se uma maior proximidade (ainda que por ora digital) com aqueles que são mais queridos. O ressurgimento e a ressignificação dos valores emocionais têm tangibilidade no tempo que está sendo dedicado a falar e acompanhar os mais ‘chegados’, deixando um legado comportamental de maior atenção para com os “nossos” no futuro. O conceito de família está de volta com mais força ao cenário global, em detrimento de performance, carreira e resultados a qualquer custo.

Com diferentes ênfases, dependendo do país, do sistema econômico e político vigentes, da cultura, religião e da própria história, a família irá liderar o mundo futuro.

7. Novos Modelos Econômicos

O surgimento dos conceitos de capitalismo consciente ou social, de economia circular, de economia criativa, entre outros, estão ganhando força. O chamado caminho do meio, entre as teorias econômicas (e até políticas) vigentes hoje (e que circulam desde o século passado), está sendo discutido em diversas esferas e com diversas lentes. Suportado nas soluções tecnológicas de blockchain, inteligência artificial e cibersegurança, entre outras soluções tecnológicas, aliada a novas prioridades universais, ao ressurgimento de valores mais patrióticos e a uma maior transparência e cobrança sobre nossos líderes e governantes, os modelos econômicos e políticos que nos trouxeram até aqui dificilmente se sustentarão no futuro próximo.

8. Novos Hubs Globais

Basta ver quais são hoje as maiores empresas do mundo para se verificar a queda dos blocos chamados tradicionais e o crescimento dos blocos emergentes. A China continuará a ter um papel ativo e dominante no mundo, nem que seja pela escala que gera e pela forma como conseguiu se posicionar no mundo nas últimas décadas. Porém, novos acrônimos substituirão os BRICS: os MINT (México, Indonésia, Nigéria e Turquia) e dos SICK (Síria, Índia, Coreias Unificadas) dominarão geograficamente as regiões onde atuam, com melhorias consideráveis da qualidade produtiva e de vida das populações.

Outros blocos (entenda-se países ou conjunto de países) ainda assumirão papéis importantes em áreas tão diferentes com saúde e medicina, tecnologia, produção industrial, educação, nanotecnologia ou biotecnologia. O mapa mundo terá novos desenhos.

9. GloCalização

Em linha com a tendência de humanismo, a preocupação com o pequeno empresário, com o comerciante local, com o autônomo tem direcionado a atenção de grandes empresas multinacionais para pequenos comerciantes locais. A GloCalização reforça o seu viés, seja pelas eventuais dificuldades de acesso e logísticas às marcas globais, seja pela genuína preocupação e vontade de ajudar os pequenos negócios, muitas vezes até os negócios informais a sobreviver a este momento. Portanto, voltarão com força os pequenos empreendedores, os microempresários e as iniciativas locais, que com qualidade e serviços globais, mudarão a agulha do poder mundial, descentralizando o poder que as grandes multinacionais têm. “Golias” que se cuide porque os “Davis” estão chegando com o apoio massivo das populações.

10. Novos Modelos de Negócio

Este cenário de transformação emergirá um novo modelo de gestão e novos negócios. Como em todos os momentos de mudança, alguns negócios perdem importância, outros ganham, alguns desaparecem e outros surgem. É a roda da vida. Ainda é prematuro fechar e assumir o mapa final dos negócios futuros, mas já estão claros aqueles que têm viés de queda e os que têm viés de subida. Dependerá da habilidade da gestão a capacidade de recuperar os que mais sofrem e manter em alta os que se beneficiam com o atual momento.

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