A alta velocidade do consumidor

Relatório da WGSN traz dicas para os varejistas se manterem revelantes em 2020 diante de um consumidor que muda mais rápido que a tecnologia

Por Erica Mendes

“O mundo do varejo está se movendo em ritmo supersônico. E não é a tecnologia que está conduzindo essa velocidade, mas sim o consumidor”, é o que afirma Petah Marian, diretora sênior da WGSN Insight.

Em um cenário de varejo que muda frequentemente, é fácil supor que as empresas estão à mercê de uma era cada vez mais orientada pela tecnologia. Porém, Marian cita no relatório ‘The High-Velocity Consumer’, publicado recentemente pela empresa de tendências, que, na realidade, são os próprios consumidores que estão dirigindo essa mudança avassaladora.

Visando entender esse consumidor de ‘alta velocidade’, tido como o principal desafio do varejo atualmente, a WGSN analisou esse comportamento sob o viés da sociedade, da tecnologia, da indústria, do meio-ambiente, da política e da criatividade, identificando as seis principais mudanças que estão ocorrendo, e apontou as principais estratégias para as marcas permanecerem relevantes em 2020.

1) A revolução do varejo portátil: os varejistas precisam estender suas capacidades móveis para novos espaços.

À medida que nos movemos para uma mentalidade sempre conectada, as pessoas estão cada vez mais confortáveis ​​interagindo com seus dispositivos do que face a face. O acesso à pesquisa de produtos significa que, muitas vezes, as decisões de compra são tomadas antes que o consumidor entre em uma loja de tijolo e argamassa. Integrar estratégias de baixo atrito e autoatendimento para fazer a transição da jornada on-line para off-line é a melhor aposta.

2) O fator de sensibilidade: a tecnologia pode ajudar os varejistas a aprofundar a conexão humana com os consumidores por meio de serviços na loja.

Com o surgimento da inteligência artificial (IA), as marcas precisam estar conscientes de que o aspecto humano do varejo ainda está presente. Uma quantidade desproporcional de ênfase foi colocada no personalizado sobre o pessoal. Embora as estratégias de varejo sem atrito sejam importantes em muitos casos, é mostrado que mais tempo gasto interagindo em uma loja é igual a compras maiores. A tecnologia e a inteligência artificial, quando utilizadas, devem abordar não apenas o que o consumidor quer, mas como se sente. Além disso, é preciso criar experiências que reflitam isso.

3) Trustenomics: transparência na maneira como a sua empresa atua.

Em um ciclo de notícias falsas e escândalos, é difícil para os consumidores saberem em quem confiar. À medida que a IA surge, a proteção de dados é o mínimo para as empresas. No entanto, os consumidores estão cada vez mais esperando mais das empresas que compram. Outra prioridade é instigar uma mudança positiva, já que se espera que o papel do CEO se desloque para incluir o bem em suas respectivas comunidades. Ambas são elementos centrais da construção de um relacionamento significativo com o cliente.

4) Preocupações Climáticas: os consumidores estão tentando agir de uma maneira que faça do mundo um melhor lugar.

À medida que o número de eventos climáticos extremos aumenta, a ansiedade climática está preparada para mudar como e o que os consumidores querem comprar. Os primeiros sinais dessa mudança estão nas atitudes diferentes em relação aos plásticos de uso único, bem como no interesse emergente em produtos de segunda mão. Enquanto os consumidores querem mudar seus comportamentos, eles esperam que as empresas tragam produtos atrativos e sustentáveis. No longo prazo, as marcas precisam estar inseridas nas economias circulares.

5) A longa geração: os varejistas devem evoluir sua experiência digital com os boomers

Com a expectativa de vida se estendendo e o aumento do número de pessoas idosas, há um grupo demográfico rico em dinheiro que está se sentindo amplamente ignorado. Varejistas precisam repensar suas estratégias para lidar com as experiências desejadas desses clientes. Enquanto essa demografia busca interação mais humana, os boomers são em grande parte usuários de smartphones.

6) Os velhos dias de propriedade: com o declínio da posse, os varejistas precisam reconsidere o que estão vendendo.

À medida que a experiência se torna cada vez mais um produto autônomo, os varejistas precisam elevar a experiência da marca a um ponto em que ela possa se tornar uma fonte de receita. Por isso, as marcas devem se concentrar em vender experiência e em ajudar o cliente a criar a melhor versão do estilo de vida que a empresa está oferecendo.

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