A criatividade e o medo de errar

É essencial entender que os erros abrem portas para o processo criativo.

Por Elayne Gomes de Sousa

A criatividade é tida como uma das principais características quando se trata de qualidades profissionais, pois é algo basicamente considerado necessário no mercado de trabalho. Nesse aspecto, é importante ressaltar que a criatividade não diz respeito apenas a expressões artísticas, já que nas empresas essa característica é essencial em todos os setores, principalmente no processo de resolução de problemas. Segundo Barreto (1997), não existe criatividade sem um problema, desde que este seja um daqueles problemas impossíveis de resolver através de métodos habituais.

Mesmo com esse tipo de percepção, problemas são evitados a todo custo, afinal, quanto menos erros, melhor. Quem quer errar? Quem deseja encontrar algum problema? Poucas pessoas buscam encarar uma dificuldade, mas é nesse momento que a criatividade tem a possibilidade de ser protagonista, é a partir disso que surge a inovação. Evitar errar parece um objetivo óbvio e nobre, entretanto é um fator limitante para o desenvolvimento de ideias criativas, é uma amarra para pessoas que compõem uma equipe, pois evitar o erro é persistir em ideias que já deram certo, é continuar fazendo mais do mesmo, se é isso que uma empresa busca, então é o caminho certo a seguir.

Para o processo criativo ser eficaz não quer dizer que se deve apenas aceitar o erro e seguir em frente.

Na verdade, é preciso aprender com ele e entender que não precisa ter medo de errar, que explorar novas ou diferentes maneiras de resolver um problema, é dar espaço para soluções criativas. Isso não significa buscar errar de propósito, pois no mercado erros afetam a lucratividade, abatem o rendimento, e por isso é extremamente importante planejar, mapear os riscos, se preparar para diversos cenários. Entretanto, um ambiente criativo não é simples de mensurar. Ou seja, é essencial, imprescindível, não ter medo de errar, pois equipes que apostam em uma estratégia segura, bem elaborada, planejada por um longo tempo, têm a possibilidade de errar, e se isso acontece a probabilidade do sentimento de fracasso predominar sobre as pessoas envolvidas é muito maior se comparadas à pessoas que reconhecem um erro como parte do processo criativo.

Obviamente algumas áreas precisam ser livres de erros, mas empreendimentos que prezam pela criatividade não têm espaço para nutrir o medo do fracasso ou do enfrentamento aos problemas. Segundo Catmull (2014), erros não são ruins, na verdade, são a consequência inevitável de se fazer algo novo.

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