Cartier e a busca pela joalheria perfeita

Criação da peça se deu através do encontro de gemas de rara beleza e qualidade

Gabriel Moura

A confecção de uma peça de alta joalheria geralmente começa com uma busca por pedras extraordinárias. E foi exatamente desse modo que aconteceu o desenvolvimento do caso do novo xodó da Cartier, uma gargantilha espetacular que tem como destaque uma valiosa safira amarela. Tudo começou com a busca de uma gema especial no Arizona. A confecção da joia, que agora faz parte da nova coleção da casa, envolveu pelo menos vinte “caçadores” de gemas extraordinárias e designers.

Foi precisamente em Tucson que a equipe Cartier encontrou a safira amarela octogonal, de mais de 15 quilates, de uma beleza rara e uma qualidade ímpar. Algumas horas depois da descoberta dessa pedra, o grupo fez conexão com um comerciante que dispunha de um estoque de contas de lápis-lazúli azuis belíssimos, que iriam complementar a criação da joia.

Nem sempre todas as peças para formar uma joia tão exclusiva como essa são encontradas de uma só vez, mas neste caso, os joalheiros ficaram impressionados com a forma como os tons contrastantes de amarelo pálido e intenso cobalto podem funcionar juntos, ecoando as coleções Cartier que emparelharam pedras azuis com ouro.

De volta a Paris, a diretora do estúdio de alta joalheria Cartier, Jacqueline Karachi, e sua equipe de 12 membros criaram o colar com as 29 contas de lápis-lazúli azul celestes, com outros cem pequenos diamantes de lapidação brilhante que variavam de intensidade de laranja a amarelo; a safira gigante ocuparia o centro do colar como um sol. O desafio: criar uma estrutura para equilibrar as contas grandes e um spray delicado de pedras menores. Como garantir que a peça se moldasse graciosamente no pescoço?

Uma armadura de ouro amarelo, minuciosamente articulada com dobradiças invisíveis para permitir o movimento, foi trabalhada para conectar a teia triangular de diamantes multitone, que parecem dispostos aleatoriamente, como estrelas, embora na realidade seu arranjo seja perfeitamente preciso. Ele foi projetado de modo que, enquanto as contas tocassem a pele, a malha cravejada de pedras entre elas seria suspensa alguns milímetros acima dela.

O quadro foi então prensado em um material semelhante a um gesso para segurar o colar ainda enquanto o levantador colocava as pedras uma a uma. Esse trabalho exigente é sempre feito por um joalheiro e polidor na oficina da Cartier em Paris, cada um seguindo a peça do início ao fim. Assim nasceu uma das mais lindas e novas peças criadas pela casa de alta joalheria, um processo criativo que exigiu mais de mil horas de trabalho.

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