Proximidade com o território, credibilidade e conhecimento da realidade local fazem da mídia comunitária um motor de desenvolvimento para empreendedores, segundo a consultora do Sebrae-SP Vera Ruthofer

O jornalismo de bairro tem se consolidado como ferramenta estratégica para fortalecer os pequenos negócios e para deixar a economia local mais dinâmica. Ao dar visibilidade a empreendedores, identificar demandas do território e criar vínculos de confiança com a comunidade, a mídia regional se consolida como agente ativo de transformação social e econômica.
A avaliação é da consultora de negócios do Sebrae-SP Vera Ruthofer, que também é jornalista e publicitária. Ela realizou a palestra “O poder do jornalismo hiperlocal na transformação de territórios empreendedores”, no último dia 4, no Escritório Central do Sebrae-SP, localizado no Centro da capital Paulista.
Segundo ela, ao contrário dos grandes veículos de comunicação, que focam em uma visão macro e muitas vezes distante do cotidiano, os jornais de bairro operam onde a ‘vida real’ acontece: no território. “Essa conexão direta permite que esses veículos não apenas informem, mas atuem como agentes ativos na transformação e sobrevivência dos pequenos negócios.”
Para Vera, o papel do jornalista local vai além da produção de notícias; ele funciona como um curador das necessidades e potencialidades da região onde atua. “O jornalismo de bairro não é só fonte de informação, é o motor que a movimenta”, disse.
Isso porque, segundo a consultora, esses veículos possuem uma propriedade e credibilidade que as grandes mídias não conseguem replicar em nível local. Ou seja: quando um jornal de bairro destaca um restaurante, uma academia ou uma farmácia, ele transfere sua autoridade para o negócio, pois gera confiança e estimula o fluxo de clientes.
A especialista, que tem mais de 30 anos de experiência na área, usou uma metáfora tecnológica para descrever a importância desse trabalho: “Imagine que esses jornais são os ‘algoritmos’ do bairro. Se eles pararem de publicar, o que vai acontecer com aqueles negócios, com aquelas pessoas que esperam deles alguma informação?”, questiona. E faz outra analogia: se um grande jornal econômico para de circular, o bairro não sente o impacto imediato. “Mas se o jornal de bairro silencia, a economia do território pode estagnar, pois é ele quem dá visibilidade aos estabelecimentos e organiza a identidade do local.”
Além do impacto social, o jornalismo de bairro oferece oportunidades de monetização e marketing assertivo para o microempreendedor, já que, por focar em relevância e nicho e não apenas em alcance genérico, permite que as empresas falem diretamente com seu público-alvo. “Eles movimentam efetivamente a economia. Se ele fala de um negócio, vai atrair um fluxo de pessoas ali”, afirma, lembrando que essa comunicação regionalizada valoriza o comportamento de consumo por proximidade, algo que tem crescido à medida que as pessoas buscam trabalhar e viver mais perto de casa.
Por último, Vera Ruthofer incentiva os produtores de conteúdo local a assumirem seu posto como protagonistas do desenvolvimento regional. Para ela, o futuro do setor está em perguntar se uma pauta “muda alguma coisa no território”, garantindo que o jornalismo continue sendo o elo com os pequenos negócios que gera confiança e ativa a economia local.
Para a especialista, o futuro do jornalismo passa pela relevância, e não apenas pelo alcance. “A mídia territorial trabalha com relevância. Ela organiza o território, fortalece a economia, constrói confiança e deixa rastro. Onde tem empreendedor tentando sobreviver, tem notícia tentando nascer — e o jornalismo de bairro está no centro desse processo”, conclui.
Fonte: Diário do Comércio


