Produtores de diamantes buscam alternativas investindo no varejo

Tendência cresce e deve impactar o mercado de joias

Gabriel Moura

Alguns grandes produtores de diamantes vêm tentando conquistar indústrias e varejo para buscar lucros em outros setores da indústria joalheira. A De Beers foi a primeira a se aventurar no segmento de varejo há mais de 15 anos, mas, recentemente, outras mineradoras começaram a seguir o mesmo caminho, saindo da área de produção e entrando em outros setores do comércio.

A De Beers assumiu o marketing para atuar em toda a indústria, o que exigiu que fosse ativa em outras partes do segmento de diamantes. Quando as circunstâncias mudaram, ela optou por investir esse dinheiro na construção de sua marca de joias para continuar promovendo a demanda de suas gemas.  

Apesar do negócio de varejo ser apenas uma pequena parte das finanças globais do grupo, não é considerada a menos importante. De acordo com a De Beers, o varejo fornece não apenas receita, mas também insight sobre tendências e oportunidades, bem como outros benefícios estratégicos importantes, como a demanda por produtos que é minerada.

Outras mineradoras têm visto os benefícios dessa diversificação e seguido o mesmo caminho. A Alrosa passou a cortar e polir seus próprios diamantes coloridos, que oferece para venda diretamente aos consumidores, e está avaliando a possível compra do fabricante de diamantes Kristall. A mineradora russa também está trabalhando em vários projetos voltados para o consumidor final, tornando mais atraente a compra de diamantes naturais, comentou Dmitry Amelkin, chefe de projetos e análises estratégicas da Alrosa.

A Rio Tinto é outra que olha para outras etapas do negócio de mineração. A Senco Jewels – uma cadeia de lojas franqueadas com sede na Índia – faz parceria com a produtora de diamantes da Austrália, com muitos dos principais joalheiros da Índia. O empreendimento oferece aos clientes de varejo “acesso às coleções de jóias com diamantes oriundas do abastecimento feito por meio dos fabricantes que são fornecedores autorizados pelo programa Australian Diamonds da Rio Tinto na Índia”, segundo Robyn Ellison, gerente de Marketing da Rio Tinto. Todos os diamantes encontrados nos produtos de joalheria nas lojas da Senco são provenientes do ativo Argyle da mineradora.

Os maiores participantes identificaram claramente o potencial adicional de receita e lucro no mercado e a integração vertical se presta aos produtores de maior volume bem como aos produtores de diamantes de menor volume e maior valor. Apesar dos benefícios, Stephen Wetherall, CEO da mineradora Lucapa Diamond, com sede na Austrália, acredita que nem toda empresa deve partir para a manufatura ou varejo. Embora sua empresa tenha manifestado interesse em outros aspectos do comércio, ele observa que “é preciso considerar os riscos e as barreiras à entrada que você enfrentará, a probabilidade de sucesso e se os retornos que espera obter de seus acionistas de A implantação de uma estratégia de downstream valerá a pena”.

A Lucapa planeja entrar nas áreas de corte e polimento de suas gemas e uma das razões por trás dessa escolha, disse Wetherall, é a esperança de reduzir o risco nesse nível. “ Hoje, com a transparência muito maior no comércio e o desenvolvimento de relacionamentos entre a mineradora e o mercado manufatureiro”.

O certo é que todas as empresas estão de olho no mercado e sabem que as demandas dos consumidores estão mudando e a indústria precisa se adaptar para atendê-las. O consumidor de hoje está mostrando interesse em saber onde os diamantes que eles compram foram adquiridos, polidos e fixados em joias.

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