Quem está consumindo sua publicidade digital?

Cliques falsos em anúncios podem estar sugando o investimento da sua empresa

Por Erica Mendes

Você sabe quem está sendo impactado pela sua publicidade digital? Segundo dados da Clickcease, cerca de 20% do total de cliques de uma campanha digital são falsos.

Esquemas criminosos se aproveitam do ecossistema utilizado para a oferta automática de anúncios online e sugam o investimento das empresas em páginas com alto tráfego, mas de baixa confiabilidade. “O Brasil é um dos principais mercados mundiais na publicidade digital, então é natural que seja um alvo valioso para esse tipo de golpe”, diz Michel Primo da Clickcease, martech israelense especializada na defesa contra ações desse tipo.

De modo geral, as fraudes se dividem em duas categorias. As chamadas click Frauds envolvem ações que forçam o anunciante a gastar com cliques que não foram feitos por consumidores reais. Nesse caso, robôs, por exemplo, clicam de maneira consecutiva em anúncios e fazem o responsável por ele pagar por visualizações que não atingiram potenciais clientes verdadeiros – ou seja, não há ganho direto para o responsável pelo golpe. “É comum que isso seja feito por concorrentes, por exemplo”, afirma Primo.

Ad Frauds, por outro lado, são estratégias que fazem com que as empresas paguem por visualizações e interações com anúncios em sites maliciosos sem obter qualquer retorno publicitário com isso. Um exemplo são páginas com conteúdo fake que recebem um volume alto de tráfego por redirecionamento de links automáticos, mas que não entregam qualquer retorno para o anunciante – aqui sim os fraudadores lucram.

Os cliques falsos são gerados de diversas maneiras. Há, como exemplos, o uso de fazendas de cliques na Ásia, em que trabalhadores contratados por salários baixíssimos passam dias clicando em anúncios de forma ininterrupta ou tráfego automatizado gerado por bots ou programas de computador.

Como um todo, a indústria de clicks fraudulentos em publicidade digital causou um prejuízo de US$ 35 bilhões em 2018, e deve chegar a US$ 42 bilhões neste ano, de acordo com a consultoria Juniper Research.

Como se proteger?

Entre as melhores estratégias para evitar golpes na publicidade digital, estão softwares de inteligência artificial que monitoram o tráfego, identificam comportamentos anormais e bloqueiam a origem dos cliques. É preciso se cercar de boas tecnologias para a empresa anunciante contestar e recuperar o valor gasto junto à plataforma de anúncios de Google e Microsoft. Da mesma forma, é importante a escolha adequada dos parceiros que fazem parte do ecossistema de marketing da empresa. “Por conta própria, o problema não irá embora”, concluiu Primo.

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