Raro diamante azul está em exposição pela primeira vez

Batizado de ‘Okavango Blue Diamond’, a gema está em exibição pública no Museu de História Natural, em Nova Iorque

Por Erica Mendes

No último dia 9, Ellen Footer, diretora do Museu de História Natural Americano (Nova Iorque), apresentou ao mundo o ‘Okavango Blue Diamond, um raro diamante de cor azul profundo, em lapidação oval, com 20,46 quilates, durante a coletiva de imprensa da exposição de diamantes naturais de Botswana.

A pedra preciosa pertence a empresa estatal Okavango Diamond Company, sediada em Botswana (África), país considerado o segundo maior produtor de diamantes. O excepcional exemplar azul é de uma das maiores minas de diamantes a céu aberto do mundo, a Orapa. Seu nome foi atribuído em homenagem ao Delta do Okavango, área de grande biodiversidade de Botswana, tombada como patrimônio da Unesco.

O diamante azul é o grande destaque da exposição, que está aberta ao público pela primeira vez desde o dia 10/11, sediada na Galeria Melissa e Keith Meister, nos Salões de Gemas e Minerais de Allison e Roberto Mignone. Com mais de 1.000 diamantes naturais, os visitantes podem conhecer diferentes variedades da pedra – desde uso para construção até à joalheria, com variadas características de tamanho, formato, cor e qualidade.

Fotos cortesia da Okavango Diamond Company
Fotos cortesia da Okavango Diamond Company

O azul estelar de Okavango Blue Diamond
O Okavango Blue Diamond impressiona por suas características de transparência, brilho, tamanho e, principalmente, sua cor estelar.

Foto Cortesia do Museu de História Natural Americano

Seu tom vem do boro que se originou na água do mar. Normalmente, os diamantes contêm uma quantidade maior de nitrogênio do que o boro, porque o nitrogênio é mais abundante no ambiente e o boro normalmente não existe nas profundezas da Terra, onde os minerais se formam. Mas o Okavango Blue inverte o script ao conter uma proporção maior de boro em nitrogênio.

Mas como o elemento n° 5 se fundiu com este diamante? O oceano contém boro, que é reciclado na rocha e no manto da Terra por meio de um processo denominado subducção. Quando uma placa tectônica no oceano colide naturalmente com uma placa continental e desliza por baixo dela, o boro é empurrado para dentro da zona de transição. Os vestígios ficam enterrados com o tempo e podem acabar em um diamante.

“Esta é outra evidência para apoiar nossa interpretação de como o planeta funciona”, diz George Harlow, geólogo e curador do Museu Americano de História Natural dos Salões de Gemas e Minerais.

Os cientistas só aprenderam sobre subducção nos últimos 50 anos, diz Harlow, então essa ideia teórica por trás da formação do Okavango Blue se baseia em nossa compreensão inicial de um grande processo planetário. Ainda assim, a razão exata para a composição química do diamante escapa aos mineralogistas. “Nós realmente não entendemos porque o nitrogênio é tão baixo”, diz Harlow. Os diamantes com maiores quantidades de nitrogênio adquirem uma cor amarelada, então o Okavango quase perfeito é um achado incrível.

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