Shudu Gram, a primeira supermodelo digital do mundo

Modelo criada em software 3D desperta a teoria de que, muito em breve, as campanhas poderão ser ilustradas por modelos totalmente digitais

Por Erica Mendes

Shudu Gram é uma modelo africana com 146 mil seguidores no Instagram. Com um biótipo de dar inveja, ela aparece em fotos e vídeos ostentando joias em sofisticadas produções de editoriais de moda.

Até aí, nenhuma novidade, certo? Errado. Se não fosse por um pequeno detalhe, Shudu poderia facilmente ser eleita uma das mulheres mais bela do mundo, isso porque o título é atribuído aos humanos e não a personagens digitais. Sim, Shudu é a primeira supermodelo digital do mundo, criada pelo fotógrafo londrino de 30 anos, Cameron-James Wilson.

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Ela virou uma febre na rede social depois que o perfil oficial de maquiagem da cantora Rihanna, Fenty Beauty, publicou uma fotografia da modelo e o mundo ficou impressionado com a perfeição e a beleza da mulher.

Em entrevista ao site da BBC, o profissional contou que a it girl foi desenhada em um software de modelagem 3D. “Há muitos modelos por aí, mas é difícil encontrar alguém realmente único”, disse ele. “Uma modelo 3D não pode desfilar em uma passarela, mas pode ser a porta-voz digital de uma marca ou ainda servir como o rosto do atendimento ao cliente.”

Como as marcas querem alguém que ninguém possa ter, uma modelo digital atende a exigência da exclusividade. Recentemente, Wilson lançou a ‘The Diigitals’, uma agência dedicada à sua crescente lista de modelos virtuais. Segundo ele, seus modelos têm um apelo para o mercado do luxo por causa do custo e do tempo que leva para produzir um avatar em 3D. “Um único modelo pode custar milhares de dólares e exigir centenas de horas para ser produzido, considerando os minuciosos detalhes que dão vida ao avatar, como cabelos e olhos dispersos que refletem luz”.

Wilson ainda brincou com o fato das agências de modelos e as empresas não precisarem mais contar com o acaso para encontrar rostos perfeitos para seus produtos, como aconteceu com Gisele Bündchen, que estava comendo no McDonald’s no sul do Brasil quando sua vida mudou para sempre, com Natalia Vodianova, que estava vendendo frutas em um mercado na Rússia, e com Adriana Lima, que foi flagrada em um shopping aos 13 anos. “Eu acho que os modelos 3-D terão impacto significativo nos editoriais, mas eles não colocarão os modelos humanos fora do trabalho, é um espaço completamente diferente”, pontuou o fotógrafo.

Shudu exibe joias da americana Tiffany & Co. em diversos posts para a Vogue Australia. O resultado? Considerando as mais de 14 mil curtidas, parece que o público aprovou.

 

 

Alguns observadores do setor dizem que Shudu é apenas o começo da revolução do avatar. “À medida que as pessoas se sentem cada vez mais confortáveis ​​com essas identidades online fabricadas, algumas marcas veem uma oportunidade de capitalizar”, disse Wilson.

Durante a entrevista, o fotógrafo ainda questionou por quê uma marca gastaria milhares de dólares para contratar modelos e fotógrafos para uma única sessão de fotos quando pode contratar uma artista? “As pessoas não se conectam com imagens que se parecem com desenhos animados, mas, se os avatares começarem a parecer pessoas reais, as agências de modelos terão que se inovar bastante para se manterem firmes no mercado publicitário. As marcas só precisarão basicamente de modelos humanos para eventos promocionais e desfiles nas passarelas”, finalizou Wilson.

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