Pais querem mais experimentação e comunicação emocional

Um estudo realizado pela consultoria de inteligência estratégica Inspiral, em parceria com Ana Coury Casa Criativa.

Juliana Bianchi

O protagonismo das crianças nas famílias é um dado de realidade. Mas antes de consumidores, são também filhos de alguém. “Descontextualizá-los”, digamos assim, deste núcleo original tem sido uma estratégia das marcas que incomoda muito aos pais. Em um estudo realizado pela consultoria de inteligência estratégica Inspiral, em parceria com Ana Coury Casa Criativa, com 35 mães da classe A e A+ de São Paulo e interior, as entrevistadas manifestaram incômodo com essa dissociação na comunicação. O estudo foi desenvolvido para identificar tendências do “kids lifestyle” de crianças entre 4 e 10 anos.

“Esse público pede mais experimentação, quer testar os produtos juntos dos filhos, antes de se decidir pela compra”, explica Karina Arruda, fundadora da Inspiral que elaborou o projeto. Traduzindo: as marcas estimulam o consumo para as crianças no YouTube, com o “unboxing”, por exemplo, e depois divulgam e destacam o preço no Instagram, para acessar os pais.  Os canais estão corretos. As crianças encaram os Youtubers como seus melhores amigos e o Instagram é a principal rede social para esse público A.

“Mas o preço não é um fator de convencimento para esses pais. Eles sentem falta de uma comunicação mais emocional, que crie vínculos, que os envolva no processo de decisão de compra ao lado dos filhos. Eles se ressentem da falta de possibilidade de compartilhar momentos em família, uma vez que a culpa pela falta de tempo é imensa”.

As entrevistadas criticam, por exemplo, o modelo de loja de brinquedos que temos por aqui, que mais “parece um supermercado e não tem nada de lúdico”.  Esses pontos de venda foram descritos como lugares com “muito plástico e cor de rosa, sem nenhum espaço para experimentação ou criatividade”.

Essa falta de tempo e espaço de convivência leva os pais a tentarem inserir seus filhos na agenda disponível, como, por exemplo, num jantar num restaurante. “As entrevistadas reclamam dos restaurantes de São Paulo que não fazem o menor esforço em atender a criança, nem de criar menus além de bife com batata frita. Estes lugares estão perdendo uma grande oportunidade”.

Outro ponto levando pelo estudo é o quanto as marcas de moda infantis, por exemplo, não desenvolveram produtos com atributos já demandados pelas crianças, como a sustentabilidade, por exemplo.  São pequenos bem informados que não estão sendo atendidos pelas marcas seja pela inadequação do ponto de venda, da concepção do produto, da comunicação ou da relação com os pais.

Fonte: Angela Klinke Report

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