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Mercado de luxo e NFTs: um novo ressignificado

Mercado de luxo e NFTs: um novo ressignificado

Mercado de luxo e NFTs: um novo ressignificado

Mercado de luxo e digital são compatíveis? Especialistas avaliam o novo cenário do mercado de luxo alterado pelo interesse das marcas em NFTs

Por Marcelo Brandão*

Quando se pensa no mercado de luxo, é fácil compreender que um dos pilares que o sustenta é a exclusividade, portanto, pode parecer que, em um primeiro momento, o luxo e o digital não são compatíveis, já que o mundo online é um sinônimo de acessibilidade. “Porém, a evolução cada vez mais rápida do mundo online que estamos vivendo está trazendo novas oportunidades”, afirma Marvin Akbari, consultor empresarial e especialista em marketing.

Nas últimas semanas, um dos assuntos mais comentados é a penetração de NFTs (tokens não fungíveis) no mercado. Trata-se de um certificado de propriedade que não pode ser substituído, dividido ou compartilhado. A garantia desta propriedade é feita por uma rede de computadores denominada blockchain. Obras famosas como as do artista Pablo Picasso, foram incluídas no mercado e abalaram as concepções de venda e compra em todo o mundo.

Novos caminhos

Para Akbari, as NFTs são uma oportunidade de negócio para o mercado de luxo, pois proporcionam a possibilidade de produtos digitais serem criados por essas marcas. A ideia seria algo parecido com o que já aconteceu com a marca Gucci, ao criar e vender no mundo virtual um tênis exclusivo. “Isso abriu e está abrindo portas para marcas de luxo criarem e comercializarem itens no digital, garantindo sua autenticidade por serem NFTs”, explica o especialista.

De acordo com Akbari, as NFTs promovem uma perfeita união entre a exclusividade do mercado de luxo e a acessibilidade tão característica do mundo digital. “O preço é feito a partir do valor da marca e raridade daquele produto e o custo é baixo, por ser um item digital e não físico”, pontua.

Um recomeço digital para a moda de luxo

Sem dúvida nos últimos anos, a indústria da moda tem se esforçado para tracionar seus negócios no mundo digital, em epscial o mercado de luxo. Com o nascimento dos NFTs veio “a esperança da moda de voltar ao trem tecnológico acelerado”, afirma Joseph DeAcetis, outro especialista no assunto e colaborador da Forbes.

DeAcetis lembra que quando o e-commerce surgiu muitas marcas de luxo estavam completamente desinteressadas em avançar para essa plataforma na época. Porém, essa postura trouxe riscos, e desde então, “o negócio da moda se tornou muito mais cauteloso”, diz o especialista.

Hoje não só a Gucci é quem está de olho na evolução das NFTsPorsche e Givenchy já venderam NFTs, e até marcas de relógios de luxo estão promovendo leilões de NFTs dentro das plataformas disponíveis com o intuito de impulsionarem sua marca neste meio.

Marketplace fashion de NFTs e a moda como arte digital

Porém, alguns especialistas advertem que há um úmero significativo de marcas de luxo ainda tateando o mercado do Metaverso e NFTsao contrário de marcas menores ou nativas digitais, que entraram de cabeça na tendência vendendo em marketplaces de NFTs como KnowOrigin e Open sea.

Ser apenas físico ou só digital não é importante hoje

Atualmente o melhor exemplo de um NFT no mercado fashion é quando um produto digital é vendido como um “twin” (gêmeo) de um produto físico, dizem os experts. Nesse caminho, Daniela Ott, secretária-geral do Consórcio Blockchain Aura, em nota ao iby.imd.org, complementa dizendo que, “as marcas devem se perguntar: o que nossos fãs estão procurando?”.

Para Daniela, as NFTs é parte de uma estratégia de produtos a longo prazo. Ela sugere que as marcas façam perguntas sobre sua real intenção com essa novidade, qual o tamanho da sua coleção, sua escassez e se serão lançadas em seu próprio site de NFTs ou em um espaço do mercado voltados para esse fim. Em última análise, ela diz, “ser apenas físico ou só digital não é tão importante hoje, mas sim, reunir os dois mundos para o cliente”.

Para Cathy Hackl, CEO do Futures Intelligence Group, “no momento, a moda que é vendida via NFT é moda como arte, e não necessariamente moda como utilidade”. Já para a designer digital Nicole Zisman, “a NFT é interessante e impulsiona a arte digital e isso tem aderência com o mercado de luxo”.

O fato é que o Metaverso e as NFTs mexeram com indústrias de diversos setores, e as NFTs, em particular, deram ao mundo um desejo ardente pela tecnologia blockchain. Se hoje vemos um número maior de marcas de luxo, ou nativas digitais de menor calibre, ou ainda, empresas de outros setores interessadas nesse universo isso é só a ponta do iceberg que está remodelando negócios em todo o mundo.

Por Marcelo Brandão para Consumidor Moderno

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