Você é do tipo que ainda fica na caixa?

Você tem facilidade em se aceitar e reconhecer ou passa boa parte do tempo tentando se enquadrar na expectativa do outro? Vamos refletir um pouco sobre o assunto?

Por Leila Navarro

caixa
Foto: Freepik

Hoje em dia as pessoas nos designam em caixas, e existem milhares delas para que todo mundo possa se encaixar em uma. Por exemplo: A caixa dos bem-sucedidos, a caixa dos fracassados; dos homens ou das mulheres; dos gordos, dos magros. Pessoas de esquerda e de direita, negros e brancos. Velhos de um lado, jovens do outro. Veganos e carnívoros, trabalhadores e desempregados. A caixa dos imigrantes, sem tetos. Dos divorciados, dos viúvos. É caixa que não acaba mais. Engraçado que não existe a caixa dos mistos (exemplo: caixa dos gordos, baixos e ricos).

E em qual caixa estão as pessoas que nos designam para nossas caixas? Ou é você a pessoa que se coloca na caixa? Até que ponto suas crenças são limitantes? 

Se colocar em uma caixa é o mesmo que se limitar em apenas algumas características, quando na verdade você tem diversas outras características que merecem ser consideradas e reconhecidas. E a gente se vê de forma tão limitada que perdemos o melhor de nós. E consequentemente também acabamos limitando o outro pois acabamos os colocando em caixas também, é como se agíssemos no automático. Aliás tem um motivo para fazermos isto, entrar no automático não requer esforço, consciência ou presença. Falar com o que já conhecemos nos deixa na nossa zona de conforto, tudo que eu preciso na vida, não acha? Errado!

Marília Mendonça tem uma letra de música que diz: Quem é você, que eu não conheço mais? Me apaixonei pelo que eu inventei de você.

Na realidade nunca conheceu por que nunca o viu, e fazemos muito isso. Conversamos com o que sabemos do outro e que combina com a leitura que eu tenho. E dessa maneira nem me esforço para ver o outro de verdade. Para escutar o outro eu acabo me vendo no outro e escutando a mim mesmo. Muito confortante mas pouco realista. Isto acontece em nossa vida pessoal e profissional. Por isso temos que estar sempre atentos e alertas.

Para te ajudar a desconstruir isso vou te passar um exercício que costumo sempre praticar. Sempre que posso, conversar com uma nova pessoa, não faço aquelas perguntas de praxe:

Qual seu nome? O que você faz? Onde trabalha? Aonde nasceu? Aonde mora? Qual seu signo? Qual a sua idade? É casada ou solteira? 

E assim por diante. Porque com as respostas dessas perguntas já pré-definimos quem a pessoa é, quando na verdade ela não se resume apenas nessas respostas.

 

Por exemplo: Se a pessoa chama: Freddy, João Carlos ou Cremilson e sendo brasileiro já presumimos a “história” da vida pessoa. Exagerei!

 

Entende? Você vai conversar com a pessoa que você criou na sua cabeça com essas informações e dessa forma não dá espaço para de fato enxergar o outro, mas sim o que você já pré-definiu dentro da sua cabeça, sem dar a oportunidade de conhecer a pessoa.

 

Com esse estilo de conversa, sem essas inúmeras perguntas que fazemos por curiosidade mas que acabam traçando o caminho de uma pessoa que você mal conhece, e assim coloca a mesma em uma caixa na qual ela não pertença.

 

“Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. (Albert Einstein)

De acordo com a ONU agora em 2021 já chegamos em 9,7 bilhões de habitantes no mundo. Incrível! E você acredita que tem caixa pra cada pessoa? Não! Aceite suas diferenças e dê espaço para as diferenças dos outros, são as nossas diferenças que nos fazem ser únicos mesmo em um mundo com bilhões de pessoas. Saia da caixa!

 

E ai, vai continuar se limitando e limitando o próximo?

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